Assinalado a 14 de fevereiro, o Dia dos Namorados continua a ser um pretexto privilegiado para refletir sobre o amor e as suas múltiplas formas. Embora a essência do sentimento permaneça intemporal, a forma como se vive o namoro mudou profundamente desde o tempo dos nossos avós e pais até à atualidade. Mudaram os contextos sociais, as expectativas, os ritmos de vida – e, com eles, as maneiras de amar.

No tempo dos avós, o namoro era um compromisso sério desde o primeiro olhar. Muitas vezes começava sob a vigilância apertada da família e da comunidade, com encontros marcados à porta de casa, passeios curtos e cartas escritas à mão. O objetivo era claro: casar. O amor confundia-se com projeto de vida, estabilidade e dever. Havia pouco espaço para experimentação emocional; o namoro era breve, contido e socialmente regulado.

Com a geração dos pais, sobretudo a partir das décadas de 1960 e 1970, o namoro começou a ganhar alguma liberdade. Surgiram os encontros sem supervisão direta, os passeios mais longos e uma maior expressão de afetos. Ainda assim, o casamento continuava a ser o horizonte esperado, e o fim de uma relação era muitas vezes encarado como fracasso pessoal ou social.

Hoje, o namoro vive-se de forma mais plural e menos normativa. As relações começam, muitas vezes, no espaço digital, através de aplicações e redes sociais. O compromisso deixou de ser imediato e o casamento já não é um destino obrigatório. Valoriza-se a compatibilidade emocional, o bem-estar individual e a possibilidade de recomeçar. O amor tornou-se mais livre, mas também mais exigente: espera-se que a relação traga felicidade, realização e crescimento pessoal.
Essa transformação é particularmente visível quando se comparam o primeiro amor e as segundas paixões. O primeiro amor – vivido, regra geral, na juventude – é marcado pela intensidade, pela idealização e pela sensação de descoberta. É absoluto, quase ingénuo, e carrega a ideia de eternidade, mesmo quando é breve. Deixa marcas profundas, não tanto pelo que foi, mas pelo que ensinou sobre amar.

Já as segundas paixões, surgidas após um divórcio ou a viuvez, são diferentes na forma e na profundidade. São amores mais conscientes, menos idealizados e mais realistas. Carregam histórias, perdas e aprendizagens. Quem volta a amar depois de uma rutura sabe o que quer – e, sobretudo, o que não quer. Há menos pressa, mais diálogo e uma valorização maior da cumplicidade e do respeito.

Se o primeiro amor vive do entusiasmo, as segundas paixões vivem da escolha. Não são necessariamente menos intensas, mas são mais maduras. Num tempo em que o amor deixou de ser único e definitivo, continua, ainda assim, a ser central na vida das pessoas.

No Dia dos Namorados, celebrar o amor é também reconhecer que ele evolui com a sociedade e com as experiências de cada um. Entre cartas e mensagens instantâneas, entre promessas para a vida e novos começos, o amor permanece – apenas aprende novas formas de existir.

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