A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu na quarta-feira, dia 5 de Fevereiro, o lançamento pelo Governo de “um grande plano de promoção” para os agricultores portugueses aproveitarem as vantagens do acordo com o Mercosul.
Para a CAP, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul tem “vantagens claríssimas” e é “uma oportunidade” para setores como o vinho, o azeite, a fruta e os queijos portugueses.
Contudo, Álvaro Mendonça e Moura realçou que para os agricultores portugueses aproveitarem as vantagens do acordo é preciso que o Governo apoie a promoção dos produtos nacionais naquele mercado.
“O Governo tem que lançar um grande plano de promoção – estou a pensar sobretudo no vinho, que está a atravessar dificuldades importantes – destes produtos no Mercosul. Temos que saber aproveitar as oportunidades que vão surgir e este também é o desafio”, disse hoje, na Guarda, Álvaro Mendonça e Moura. 
O responsável participou hoje numa reunião do Conselho Consultivo Regional, onde a direção da Confederação dos Agricultores de Portugal abordou com os associados da região temas como o Acordo Mercosul, a Política Agrícola Comum 2028-2034, a sanidade animal e a floresta.
Desde logo, uma vantagem para os produtores nacionais é a “grande relação afetiva” que existe com o Brasil, defendeu o presidente da CAP.
“A promoção é mais fácil para nós do que será para um grego ou para um outro país qualquer da União Europeia”, constatou.
Álvaro Mendonça e Moura disse não ter dúvidas de que a agricultura portuguesa está preparada para aproveitar essas vantagens histórico-afetivas na América do Sul.
“O Brasil já é o maior mercado fora da União Europeia para os nossos produtores de vinho, também no azeite é fundamental para os nossos exportadores. É um país para o qual nós já começamos a estar habituados a exportar, onde os nossos agricultores têm mais facilidade do que se fosse num país, como o Cazaquistão, ou outro com o qual não tivéssemos relações”, argumentou.
O presidente da CAP reforçou: “A oportunidade está aí, temos que aproveitar”, defendendo o desenvolvimento de planos de promoção dos produtos portugueses nos países sul-americanos.
“É muito importante que, assim como há vários programas de idas a feiras, que agora isto seja desenvolvido para beneficiar das vantagens que se podem colher com o Mercosul”, sugeriu.
No entanto, nem tudo é bom neste acordo comercial entre a UE e os países membros do Mercado Comum do Sul (Mercosul), alertou o responsável.
“Há aspetos preocupantes, nomeadamente em relação à carne de bovino, mas há cláusulas de salvaguarda. Em primeiro lugar, a concessão que a União Europeia faz é limitada à importação de 99 mil toneladas, o equivalente a 1,4% do consumo de carne na Europa, logo não parece que isso nos possa afetar significativamente”, afirmou.
Álvaro Mendonça e Moura chamou também a atenção para o facto de estar salvaguardado que essa quota não pode aumentar sob pena da suspensão imediata do acordo.
“E mais, se, por qualquer razão, o preço da carne descer de 5%, o que poderia afetar o produtor, também, de novo, pode imediatamente ser suspenso o acordo e podemos voltar aos direitos anteriores”, acrescentou.
O que o presidente da CAP exige é que o acordo com o Mercosul seja aplicado “na sua globalidade, pois as cláusulas de salvaguarda são tão importantes como as concessões, não são menos”.
“Temos que exigir, o que também ficou previsto no acordo, que a Comissão Europeia faça inspeções nos países do Mercosul, coisa que hoje não tem o direito de fazer, mas que passa a poder fazer, para que haja, efetivamente, controlos à entrada, nomeadamente em termos fitossanitários”.
O dirigente lembrou, no entanto, que “a presidente da Comissão Europeia já declarou que vai aumentar em 50% as inspeções e os controlos”.
“Portanto, este acordo com o Mercosul é globalmente positivo, mas exige atenção da nossa parte”, concluiu o presidente da CAP.

LYM // CSJ/JNM
Lusa/fim

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