“Habituem-se”, pede Mendes pede aos “laranjinhas” quanto à sua independência
Numa iniciativa de campanha no Mercado Municipal de Torres Vedras, Marques Mendes teve a companhia do secretário-geral e líder parlamentar do PSD, mas Hugo Soares afastou-se depois da comitiva e, ao reencontrarem-se num café, os dois fingiram por uns minutos não se conhecer.
“Que seja um grande ano para Portugal com a sua eleição”, desejou o dirigente social-democrata.
“Gosto em conhecê-lo, o senhor é de cá?”, gracejou Marques Mendes, com Hugo Soares a responder que ele “aparecia muitas vezes na televisão”.
“Acertava quase sempre, embora batesse muitas vezes nos laranjinhas, devo dizer”, assinalou o dirigente do PSD.
“Isso é a independência, meu amigo. Habituem-se”, rematou o candidato presidencial apoiado por PSD e CDS-PP.
SMA
Do livro ‘esgotado’ à voz da prima Amália, Seguro ouviu Grândola
À chegada a Grândola, António José Seguro foi imediatamente rodeado por apoiantes, entre os quais o deputado do PS André Pinotes Batista, o presidente da Câmara Luís Vital Alexandre ou a eurodeputada Ana Catarina Mendes, a quem disse “obrigado pelo ‘post’” de apoio à candidatura nas redes sociais.
Depois, voltou às visitas a comerciantes e populares e deu de caras com um imigrante que lhe disse ser o “futuro de Portugal” ou até um trabalhador da construção civil a quem até já tinha cantado os parabéns há alguns anos, indo até à Farmácia Costa, mas sem comprar medicamentos porque disse que não tinha “dores de cabeça”.
Também foi a uma loja de produtos tradicionais com um ‘twist’ menos habitual: também vendia livros. À porta, estava exposto um livro do adversário na corrida presidencial Gouveia e Melo. Instada pelos jornalistas, a comerciante assumiu: “Tenho, realmente tenho. Mas não do meu candidato”, disse a lojista, já abraçada por Seguro, que se apressou a sugerir que o seu livro já tinha esgotado.
Seguiu depois para o Núcleo Museológico “Grândola, Vila Morena”, onde, à entrada, ouviu novamente cante alentejano e, após uma visita guiada, refastelou-se numa cadeira e acabou à escuta de uma versão da canção revolucionária cantada por Amália Rodrigues, que Seguro revelou ser sua prima afastada.
“O Observador fez uma árvore genealógica dos candidatos. Um dos meus primos, neste caso a minha prima, é Amália Rodrigues”, disse, esclarecendo que Amália é sua prima “em não sei quantos graus”.
“Que voz! Que voz! Não é possível pôr mais alto, pois não?”, pediu.
JE
Gouveia e Melo e a confusão do local onde nasceu
No arranque do terceiro dia de campanha eleitoral, Henrique Gouveia e Melo esteve no Mercado Municipal de Vila Real, onde conversas baseadas em equívocos relativamente ao local onde nasceu o deixaram sem resposta.
No piso de cima, num mercado praticamente vazio, o candidato apenas falou com os poucos comerciantes de frutas e legumes que ali se encontravam, mas ao descer ao piso inferior conseguiu encontrar mais gente e distribuir cumprimentos.
Foi aí que uma senhora se abraçou ao almirante e lhe disse: “viemos os dois de Angola”, mas, de forma educada e sem querer contrariá-la, ficou em silêncio, já que o seu local de nascimento foi Quelimane, no norte de Moçambique
Já numa loja de produtos de bacalhau da Islândia, numa conversa com o comerciante, Gouveia e Melo disse-lhe, em tom de brincadeira, que na Marinha há três tipos de pratos: carne, peixe e bacalhau.
De seguida, na animada Feira dos Reis, em Vila Verde, no concelho de Alijó, ainda no distrito de Vila Real, o candidatou deu um pé de dança, abeirou-se de bovinos da raça barrosã e fez piadas com sapos de loiça, dizendo que em Portugal há um pântano com muitos sapos que querem ser reciclados.
Ao terceiro dia de campanha, Sá Carneiro tornou-se tema nas eleições presidenciais
Francisco Sá Carneiro tornou-se hoje a figura central do terceiro dia da campanha para as eleições presidenciais, com os candidatos a dividirem-se entre acusações de aproveitamento político e críticas ao antigo presidente Aníbal Cavaco Silva.
Num artigo de opinião publicado hoje no Observador, o antigo Presidente da República e ex-chefe de executivo Aníbal Cavaco Silva afirmou-se chocado com a forma como o nome de Sá Carneiro, que morreu em 1980, tem sido invocado por vários candidatos às eleições presidenciais como André Ventura, João Cotrim Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo.
A afirmação do social-democrata tornou-se, assim, tema central do terceiro dia oficial da campanha para as eleições de 18 de janeiro, com Luís Marques Mendes a ser o único a saudar o artigo do antigo Presidente da República.
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP começou por destacar a sua “grande admiração por Cavaco Silva”, que definiu como “talvez o melhor primeiro-ministro da democracia portuguesa”, antes de salientar que este fez uma crítica “totalmente legítima”.
“Sobretudo por causa de Sá Carneiro. Porque eu acho que, neste momento, vários adversários meus falam de Sá Carneiro não por homenagem, mas por oportunismo. Oportunismo puro”, acusou durante uma ação de campanha em Torres Vedras.
Embora sem nomear nenhum dos outros candidatos, Marques Mendes lembrou que o fundador do PPD-PSD não representava o radicalismo, o extremismo ou a arrogância.
“Acho que Sá Carneiro foi provavelmente o melhor político português das últimas décadas. E acho que, se Sá Carneiro não é de ninguém, também não é património exclusivo do PSD, nem de Cavaco Silva”, afirmou André Ventura.
Em declarações aos jornalistas junto à estação ferroviária de Pinhal Novo, no distrito do Setúbal, o também líder do Chega defendeu que Cavaco Silva “está errado” e disse estar convencido de que se Sá Carneiro fosse hoje vivo “sentir-se-ia muito mais próximo do Chega, dos valores do Chega, da forma de fazer política do Chega, do que do próprio PSD”.
Igualmente visado no artigo de Cavaco Silva, Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal) desvalorizou as críticas do antigo chefe de Estado, dizendo rever-se na “maneira de estar na política, na verticalidade, na frontalidade, na forma arrojada e na falta de medo que Sá Carneiro tinha”.
Depois de invocar Sá Carneiro na véspera, em Viseu, Gouveia e Melo criticou hoje quem tenta apropriar-se do legado do antigo primeiro-ministro.
“Agora, não quero falar do passado. Quero falar do presente e do futuro. O mundo já não é o mundo de há 20 anos e eu não concorro contra o senhor ex-Presidente Cavaco Silva”, declarou numa ação de campanha em Alijó, no distrito de Vila Real.
Mais veemente nas críticas foi António Filipe, com o candidato apoiado pelo PCP a afirmar que se deve respeitar a memória das pessoas falecidas.
“Eu acho que devemos respeitar a memória das pessoas falecidas e não lhes atribuir opiniões porque elas não estão cá para confirmar nem para desmentir”, reforçou.
Num dia em que foi particularmente atacado pelos seus adversários, após na segunda-feira ter surgido em primeiro lugar numa sondagem feita pela Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF, António José Seguro escusou-se a comentar o artigo escrito por Cavaco Silva.
“O meu diálogo é com os portugueses. Os portugueses precisam de um Presidente próximo, que os escute, que dê voz a quem não tem voz e que exija à política aquilo que ela deve fazer, que é encontrar soluções para resolver os problemas dos portugueses”, respondeu o candidato apoiado pelo PS, em Grândola.
Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em 18 de janeiro, numas eleições com recorde (11) de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.
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