A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmou hoje a inexistência de qualquer foco de descarga de águas residuais ou situação de contaminação numa albufeira de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, onde surgiram centenas de peixes mortos.
“Confirma-se a inexistência de qualquer foco de descarga de águas residuais ou situação de contaminação, conforme já havia sido preliminarmente comunicado pela APA no dia imediatamente subsequente à ocorrência”, lê-se numa nota enviada à agência Lusa.
A APA explica ainda que, paralelamente, se procurou determinar a eventual causa da mortandade dos peixes, da espécie alburno, tendo as análises efetuadas às amostras de água da Barragem de Póvoa e Meadas revelado valores normais.
“As análises efetuadas às amostras de água da albufeira de Póvoa e Meadas, abrangendo parâmetros de química geral e orgânica, não revelaram quaisquer desvios face aos valores de referência, não se estabelecendo, por essa via, correlação entre a mortalidade das espécies piscícolas e as condições da água na albufeira”, lê-se na nota.
A APA recorda ainda que, na sequência do episódio de mortandade de peixes, recolheu amostras de água no próprio dia da ocorrência (domingo) e no dia seguinte.
Desde o primeiro momento, acrescenta, a prioridade consistiu em “assegurar, com rigor e segurança”, a verificação da qualidade da água. Manteve-se uma monitorização contínua, em “estreita articulação” com as entidades gestoras responsáveis pelo abastecimento para consumo humano.
Contactado hoje pela Lusa, o presidente da Câmara de Castelo de Vide, Nuno Calixto, indicou que o município tem efetuado ao longo dos dias a recolha dos peixes mortos e contou na quinta-feira com o auxílio de uma embarcação das Águas do Vale do Tejo.
“ O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas [ICNF] estipulou um sítio próprio para enterrar os peixes, longe da margem. A câmara abriu um vale e foram aí enterrados”, disse.
Na segunda-feira, em comunicado, a Câmara de Castelo de Vide, alertou para a existência de peixes mortos na Barragem de Póvoa e Meadas e, na altura, disse não possuir “dados concretos” para identificar a origem do problema.
Na nota, assinada pelo presidente do município, Nuno Calixto, e publicada nas redes sociais da autarquia, foi explicado que a APA tinha sido “devidamente contactada e [se encontrava] a par da situação”.
A câmara indicou ter mobilizado meios para o local, com o objetivo de “avaliar o sucedido e implementar as primeiras medidas consideradas necessárias”.
Também na segunda-feira, em comunicado, a APA informou não ter sido “detetado qualquer foco de descarga” de águas residuais ou contaminação nas imediações da barragem.
O PS questionou na quarta-feira a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sobre o caso, através de uma pergunta assinada por 10 deputados do grupo parlamentar do PS, entre eles Luís Moreira Testa, eleito pelo círculo de Portalegre.
Segundo os subscritores da pergunta, “trata-se de uma situação particularmente preocupante”, já que esta barragem “assegura o abastecimento de água a vários concelhos da região – Nisa, Gavião, Ponte de Sor, Crato, Alter do Chão, Fronteira, Avis e Sousel – colocando inevitavelmente em causa a confiança das populações na segurança do recurso hídrico”.

HYT // ROC
Lusa/Fim

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Lusa
Carregar mais artigos em Actual

Veja também

Governo não confirma perda pelo Alentejo de 700ME de fundos europeu

As verbas destinadas para Portugal, respeitantes aos fundos de coesão da União Europeia, p…