O secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional considerou hoje um “momento de significativa importância” a assinatura do contrato de construção das infraestruturas primárias da Barragem do Pisão, no concelho de Crato.
“Não se trata apenas de um momento de significativa importância para o Município do Crato, para o distrito de Portalegre, para a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) ou para a região do Alentejo”, mas sim “para o país e para a Europa e para esta nossa aldeia global a que chamamos mundo”, disse Hélder Reis.
O governante, que falava na assinatura do contrato para a construção das infraestruturas primárias do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato (EAHFMC), também conhecido por Barragem do Pisão, destacou a importância do projeto.
“Esta barragem não será apenas uma estrutura para armazenamento de água, ela desempenhará um papel crucial em várias áreas complementares ao abastecimento”, sublinhou o secretário de Estado.
Para Hélder Reis, o projeto da Barragem do Pisão, cuja execução é da responsabilidade da CIMAA, é um “grandioso” empreendimento que “a todos deve orgulhar”.
Durante a cerimónia, realizada no Crato, em que foi revelado que a construção das infraestruturas primárias, adjudicada a um consórcio ibérico e orçada em 64,99 milhões de euros, tem de estar concluída “no final de 2026”.
O presidente da Câmara do Crato, Joaquim Diogo, alertou que a “prioridade” de todos os envolvidos neste projeto a partir desta altura passa para a construção da nova aldeia de Pisão.
A localidade vai ficar “submersa pelo caudal da barragem, mas muito rapidamente apresentaremos um ‘masterplan’ [planeamento] de uma nova aldeia do Pisão, desenhada a partir dos contributos da população”, disse o autarca.
Já o presidente da CIMAA, Hugo Hilário, destacou que a ai permitir barragem vai permitir “reforçar e garantir” o abastecimento de água em nove dos 15 concelhos do distrito de Portalegre, assegurar o regadio a “mais de cinco mil hectares” e possibilitar a produção de “cerca de 60%” da energia dos consumos necessários do Alto Alentejo.
A construção das infraestruturas primárias do EAHFMC foi atribuída ao consórcio ibérico Agrupamento FCC Construcción e Alberto Couto Alves.
O projeto do Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato “é o mais avultado” investimento inscrito no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com uma dotação de aproximadamente 141 milhões de euros, aos quais há que somar 10 milhões de euros inscritos no Orçamento do Estado.
A barragem vai inundar uma área de 726 hectares e contará com uma altura máxima de 54 metros, tendo uma capacidade de armazenamento de 118,2 hectómetros cúbicos.
O EAHFMC vai surgir numa área de 10.000 hectares, ficando submersa a aldeia de Pisão, que atualmente conta com cerca de 70 moradores e 110 casas.
O projeto prevê ainda duas centrais fotovoltaicas, uma terrestre e uma flutuante, que deverão envolver um investimento total superior a 132 milhões de euros, verba que não está inscrita no PRR.

HYT // RRL
Lusa/Fim

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