O Executivo da Direção da Organização Regional de Portalegre (DORPOR) do Partido Comunista Português (PCP) afirmou, em comunicado divulgado após reunião realizada a 29 de abril, que a situação social e económica no país e no distrito continua marcada por dificuldades profundas, acusando os sucessivos governos de promoverem políticas que não respondem às necessidades da população.

Segundo o PCP, apesar de mais de cinco décadas passadas sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974 e da aprovação da Constituição da República Portuguesa, persistem problemas estruturais como baixos salários e pensões, aumento do custo de vida e degradação dos serviços públicos. O partido considera que estas dificuldades contrastam com os lucros elevados de grandes grupos económicos e multinacionais.

O comunicado responsabiliza governos do PS, PSD e CDS, bem como o apoio político de partidos como Chega e Iniciativa Liberal, por aquilo que classifica como uma “política de direita” contrária aos valores de Abril e à Constituição.

Distrito de Portalegre “continua adiado”

A DORPOR sublinha que o distrito de Portalegre permanece numa situação de atraso, destacando a falta de concretização de projetos considerados essenciais. Entre eles estão a eletrificação da Linha do Leste, a melhoria das ligações ferroviárias e rodoviárias, bem como infraestruturas que garantam melhores acessibilidades entre concelhos e regiões vizinhas.

O PCP critica ainda o que descreve como uma estratégia de “anúncios e propaganda”, referindo-se a projetos como o campo de tiro anunciado para a região e a demora na concretização de obras como o Aproveitamento Hidráulico do Pisão.

Além disso, aponta problemas na gestão de património público, como o Instituto de Reintegração de Vila Fernando, em Elvas, e espaços culturais em Portalegre que, segundo o partido, permanecem subaproveitados.

Críticas ao pacote laboral

No plano nacional, o PCP manifesta forte oposição às propostas de alteração à legislação laboral, considerando-as um “retrocesso” nos direitos dos trabalhadores. Entre as críticas estão a facilitação de despedimentos, aumento da precariedade, desregulação de horários e limitações a direitos familiares e sindicais.

O partido alerta que estas medidas poderão agravar as condições de vida da população trabalhadora e defende a revogação de normas já existentes que considera prejudiciais.

Apelo à mobilização

A DORPOR saúda as recentes manifestações e ações de luta no distrito e destaca a participação nas comemorações do 1.º de Maio. O comunicado dá especial ênfase ao anúncio de uma greve geral convocada pela CGTP-IN para o dia 3 de junho, apelando à adesão dos trabalhadores.

“O combate deve continuar”, afirma o PCP, defendendo a mobilização social como forma de travar o que considera serem políticas prejudiciais aos trabalhadores e ao país.

O comunicado termina com um apelo à continuidade da luta, tanto nas ruas como nos locais de trabalho, em defesa dos direitos laborais e das conquistas de Abril.

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