Desde as primeiras horas da manhã, a Puerta de Palmas registou um intenso movimento de pessoas para assinalar um acontecimento de grande relevância, o V centenário do Casamento Real entre Carlos I de Espanha e V da Alemanha e a Infanta Isabel de Portugal.

A cidade associou-se às celebrações, uma vez que foi a primeira em território espanhol a acolher a imperatriz. Nobres, camponeses e tropas do reino de Castela preencheram este espaço com um ambiente de inspiração medieval.

Uma comitiva numerosa

“A princesa está em Badajoz, ide buscá-la”. Foi com esta ordem que partiu a comitiva espanhola ao encontro da imperatriz. O arcebispo de Toledo, Alonso Fonseca, e o duque da Calábria, Fernando de Aragão, lideraram o cortejo que se dirigiu ao encontro de Isabel de Portugal.

Os castelhanos atravessaram a Ponte de Palmas para receber a imperatriz em território espanhol. Também ela seguia acompanhada por uma representação da coroa portuguesa, entre a qual se encontravam os seus irmãos. Juntos, portugueses e espanhóis voltaram a atravessar a ponte, dando início a um vasto conjunto de celebrações em honra de Isabel de Portugal.

Recepção oficial

Na Puerta de Palmas foi evocada a recepção oficial que as autoridades locais prestaram à monarca em 1526. Longe de se tratar de uma recriação histórica rigorosa, a organização sublinhou que o objectivo foi assinalar o momento, uma vez que alguns dos cenários originais já não existem.

O alcaide de Badajoz, Ignacio Gragera, o delegado do Governo, José Luis Quintana, e diversos membros da autarquia receberam a monarca naquele local. Centenas de habitantes juntaram-se à cerimónia, acompanhando este “facto histórico que recorda um momento marcante para a cidade”, nas palavras de Manuel Cienfuegos, presidente da Associação Amigos de Badajoz, co-organizadora do evento juntamente com o município.

Segundo o responsável, recordar o que aconteceu há cinco séculos representa um desafio e, simultaneamente, um marco para a memória colectiva da cidade. Manuel Cienfuegos destacou ainda tratar-se de “mais um exemplo da importância que Badajoz teve no século XVI”, sublinhando o papel relevante desempenhado ao longo da história. Para o dirigente, esta iniciativa constitui “um ponto de partida para dar a conhecer a nossa história” e afirmar a importância da cidade no contexto histórico da Península Ibérica.

O responsável salientou igualmente o valor simbólico da evocação: “É a rainha, esposa de Carlos V, o imperador, que esteve aqui uma semana antes do seu casamento”. Destacou ainda o envolvimento da população: “Há expectativa e acredito que as pessoas vão aderir; será um momento bonito”.

Por seu turno, Ignacio Gragera deu as boas-vindas institucionais com um discurso de forte simbolismo: “Majestade, Imperatriz, bem-vinda a Badajoz”, destacando a cidade como “território de fronteira, de guerra, mas também de encontro”. Sublinhou ainda a união histórica representada pelo acontecimento: “Hoje, com a sua presença e o seu matrimónio, Castela e Portugal unem-se através do Guadiana e da Puerta de Palmas”.

Momentos de celebração

Para assinalar a ocasião, foi preparado um vasto conjunto de actividades. Para além das oferendas entregues por membros da Associação Boda Regia de Valencia de Alcántara, incluindo doces e bordados, um grupo de alunos da escola Enrique Iglesias actuou com danças perante a imperatriz.

A população manifestou também o seu entusiasmo, saudando a jovem que interpretava a monarca com aplausos e lançando confettis durante o seu percurso pelas ruas do centro histórico. Ao longo do trajecto, foram ainda recriadas várias cenas do quotidiano da época.

Texto: Jonás Herrera/La Crónica de Badajoz

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