A proteção do sisão e da abetarda levou a Fundação da Casa de Bragança (FCB) e a REN – Redes Energéticas Nacionais a desenvolver um projeto em Elvas para melhorar o habitat das aves, que são das mais ameaçadas.
Num comunicado divulgado ontem, dia 1 de Abril, as duas entidades explicam que o projeto incide numa área de 100 hectares de pousios e pastagens da FCB no concelho de Elvas, que irá ser melhorada para potenciar um habitat favorável para a reprodução das espécies.
“A iniciativa surge no contexto do desenvolvimento da Linha Estremoz – Alandroal, crucial para aumentar a capacidade de transporte de energia e assegurar a estabilidade da rede no Alentejo, e reflete o compromisso das entidades envolvidas com a proteção da biodiversidade e a valorização do território”, explica-se no comunicado.
FCB e REN dizem que as medidas se centram sobretudo na gestão e melhoria das pastagens, para garantir no período reprodutor a manutenção de uma vegetação com altura adequada para as espécies e o evitamento de perturbação.
Foi instalada uma vedação (e criação de um corta-fogo) em redor da parcela, para impedir a presença de gado entre 15 de março e 30 de junho, período em que são também interditas outras atividades agrícolas.
A iniciativa tem o acompanhamento científico do BIOPOLIS-CIBIO, centro de investigação em biodiversidade e recursos genéticos, o maior projeto nacional de investigação na área da biologia ambiental, ecossistemas e biodiversidade.
Em 2029 será feito um balanço do projeto e decididas ações futuras.
A abetarda encontra-se especialmente no Alentejo interior e segundo a lista vermelha das aves, de 2022, o número de espécies diminuiu para metade nos últimos 10 anos. E devido às alterações de habitat a diminuição continua, podendo a ave desaparecer a médio prazo.
O sisão também é mais comum em áreas abertas do Alentejo interior e, segundo a Lista Vermelha, teve uma contração significativa, para cerca de metade, entre 2003 e 2016. O declínio terá sido maior em áreas convertidas para pastoreio de vacas e onde se regista uma maior densidade de linhas elétricas, representando um risco de colisão e de efeito de perturbação.
FP // CMP
Lusa/fim

Imagem de lifeesteparias.lpn
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