Dois jornais com um mesmo objectivo: defender uma informação local verdadeira. “Linhas de Elvas” e “La Crónica de Badajoz” encontraram-se esta sexta-feira no Hospital Centro Vivo para debater o “Jornalismo Raiano”.

O fórum, organizado pelo Ateneo de Badajoz e pela associação AIAR de Elvas, criou uma oportunidade para estabelecer ligações e dar a conhecer o dia-a-dia dos meios de comunicação, com o objectivo de compreender a história, o presente e os desafios que ambos os jornais enfrentam.

Este encontro contou com a participação do director do “Linhas de Elvas”, João Alves e Almeida, e da directora do “La Crónica de Badajoz”, Ascensión Martínez Romasanta. Entre os temas abordados durante a conversa estiveram o percurso de ambos os meios, a cobertura local, o peso da web e das redes sociais, a inteligência artificial e a disseminação de fake news. Além disso, ficaram em aberto possíveis colaborações entre os dois jornais.

“La Crónica de Badajoz”, diário gratuito do grupo Prensa Ibérica, celebra duas décadas de existência com periodicidade diária, de segunda a sexta-feira, em papel, e com informação permanente e actualizada na web 365 dias por ano.

A directora explicou que, embora o site seja a aposta para o futuro, o jornal em papel continua a ser um motor importante, uma vez que são distribuídos 3.500 exemplares por dia. “Quando chego todas as manhãs à redacção já não há nenhum”. Acrescentou ainda que existe um sector da população que “gosta de folhear”. “Continuamos a estar no balcão dos cafés”.

Nesse sentido, João Alves e Almeida salientou que os jovens “já não lêem jornais”, ou ficam apenas pelos títulos. Referiu também a inteligência artificial como um risco ou uma oportunidade, devido ao apoio que pode dar à produção de conteúdos, mas considera que o aumento da desinformação é ainda maior. “É um desafio conquistar leitores nos dias de hoje”. Ao que Ascensión Martínez acrescentou que os meios de comunicação estão numa luta constante contra as fake news que se propagam nas redes sociais. “Agora os influenciadores fazem jornalismo e é nosso dever informar com rigor”.

Informação verdadeira e fake news

Tanto o director do “Linhas de Elvas” como a directora do “La Crónica de Badajoz” recordaram situações em que as fake news tomaram conta das redes sociais. Por isso, pedem “um equilíbrio” entre a rapidez de publicar uma informação – já que as visitas aumentam quando se é o primeiro – e a cautela de verificar os factos.

“Temos um dever para com a sociedade, somos um meio privado, mas prestamos um serviço público”, respondeu Martínez.

Também João Alves e Almeida deu o seu ponto de vista ao salientar que existe cada vez mais informação para verificar. “Tanto nas redes sociais como nos outros meios de comunicação, nunca termina, nunca dorme”.

No passado mês de Setembro assinalou-se o 75.º aniversário do semanário “Linhas de Elvas”, cuja edição impressa sai para a rua todas as quintas-feiras. Os dois jornais partilharam os desafios que enfrentam e concordaram que “há muito trabalho a fazer”, algo que a directora classificou como “um desafio apaixonante”.

Durante o debate falou-se também sobre uma possível colaboração entre os dois meios de Badajoz e Elvas, uma vez que os leitores de ambos os jornais consomem notícias das duas cidades. “Os cidadãos são transfronteiriços e os meios de comunicação também devem sê-lo”, concluiu a directora.

Miriam Rubias
La Crónica de Badajoz

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