A proposta de criação de uma Estratégia Municipal para a Demografia e Coesão Territorial (2026-2028) voltou a não ser incluída na Ordem de Trabalhos da Câmara Municipal de Elvas, apesar de já ter sido apresentada por “três vezes”, lamentam os vereadores eleitos pelo CHEGA, José Eurico Malhado e Elsa Dourado.
Segundo um comunicado divulgado pelos proponentes, a primeira tentativa de agendamento ocorreu a 5 de Janeiro, tendo sido rejeitada com o argumento de que “se trataria de uma ‘recomendação’”. A terceira proposta, enviada para inclusão na reunião de 25 de Fevereiro, “nem sequer mereceu resposta”, não tendo igualmente sido agendada para debate.
Os subscritores consideram que a ausência de discussão sobre uma estratégia destinada a travar o declínio demográfico do concelho é motivo de preocupação.
“Quando uma estratégia para travar o declínio demográfico de Elvas não encontra espaço para ser debatida, algo está profundamente errado”, lê-se no documento.

De acordo com os dados apresentados no comunicado, entre 2011 e 2021 o concelho de Elvas perdeu “mais de 10% da população”. Nos últimos quatro anos, registou-se uma diminuição de “308 habitantes”, tendência que, segundo os proponentes, continua sem sinais de inversão.
A proposta apresentada assenta na criação de uma Estratégia Municipal para a Demografia e Coesão Territorial para o período de 2026 a 2028, com um conjunto de medidas consideradas prioritárias. Entre elas, destacam-se o apoio à natalidade através da gratuitidade das creches para famílias residentes, incentivos directos ao emprego e à aquisição da primeira habitação para promover a fixação de jovens, bem como o reforço de unidades de saúde e a promoção da literacia para combater o isolamento da população sénior nas freguesias.
Os autores defendem ainda a definição de “metas objectivas” e a “avaliação anual dos resultados”, sublinhando que o concelho precisa de medidas concretas e não de “promessas vagas”.
“Ignorar o problema não o resolve. Enfrentá-lo é uma escolha política”, concluem.
