“É TEMPO DE RENASCER!

Estimados Padres, Diáconos, Consagrados, Famílias Cristãs, Seminaristas e Jovens, Cristãos e Cristãs, Homens e Mulheres de Boa Vontade, saudações cordiais e votos de Saúde, Paz e Bem!

Desejo dirigir-vos por ocasião do Tempo Favorável que é a Quaresma, uma fraterna Mensagem de Paz Espiritual e Encorajamento Humano. Uno-me a cada um de vós na Fé e na oração e peço-vos licença para com humildade bater à porta do vosso coração e da vossa vida em nome de Jesus, o Cristo, o Filho de Deus e o nosso Salvador.

1 – Em jeito de introdução, direi que como todos sabemos, o número Quarenta é simbólico na Bíblia. Representa, sobretudo, os Quarenta Anos que o Povo bíblico peregrinou pelo deserto e os Quarenta Dias de jejum e oração com que Jesus preparou na solidão os Seus três anos de vida pública. Assim, a Quaresma – quarentena – são os Quarenta Dias em que os Cristãos se preparam para a Páscoa Cristã, ou seja, para a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo. É afinal, um Tempo Litúrgico centrado na oração e reflexão da Palavra da Bíblia, na renovação da Fé, na conversão interior e na prática do jejum, da abstinência e da partilha de bens. A Quaresma inicia-se com a Quarta Feira de Cinzas, celebrada hoje, dia 18 de Fevereiro, e concluirá na tarde de Quinta-feira Santa com a Missa da Ceia do Senhor, dia 2 de Abril, altura em que se inicia o Tríduo Pascal.

Durante o Tempo da Quaresma, a Liturgia usa paramentos de cor Roxa, como símbolo de Penitência ou apelo de conversão, porém no quarto Domingo da Quaresma, os paramentos podem ser rosáceos; neste Tempo não se reza nem canta o “Glória” e o “Aleluia”; o adorno dos Templos é marcado pela sobriedade e ausência de flores e o Canto segue as orientações do Tempo Litúrgico, usando o som do órgão de modo sóbrio e só o indispensável. O silêncio e a interioridade são necessários e saudáveis para ajudar à reflexão e à interiorização da Palavra de Deus, centro da vida litúrgica e por consequência da Quaresma.

Conforme as possibilidades de saúde e de idade, somos convidados pela Mãe Igreja a guardar jejum em Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa e abstinência de carne em todas as Sextas-feiras da Quaresma.

É importante que preparemos convenientemente a celebração do Sacramento da Confissão, através das Celebrações Penitenciais propostas pelas Paróquias na Quaresma, ou na celebração individual com um Sacerdote disponível.

A penitência Quaresmal cruza-se com a Caridade Cristã, através da oferta da Renúncia Quaresmal, explicada nesta Mensagem, da visita aos doentes, aos sós e a todos os frágeis. O perdão e o pedido de perdão das ofensas recebidas ou feitas, a reconciliação e as pazes em família e vizinhança, são práticas saudáveis e segundo a Palavra de Deus, muito apreciadas por Deus, que na sua Misericórdia nos oferece o Dom da Paz e da Alegria interiores. São ainda práticas tradicionais e salutares do Tempo da Quaresma, a participação em Celebrações da Palavra, em Adorações Eucarísticas, como Lausperenes; a Oração da Liturgia das Horas, como Laudes, a Hora Intermédia de Noa, Vésperas e Completas; a leitura e meditação da Paixão do Senhor descrita nos Quatro Evangelhos; a celebração atenta e vivida da Via Sacra; a oração Mariana do Terço; a Devoção ao Septenário de Nossa Senhora das Dores; a participação nas Procissões dos Passos do Senhor; a vivência da Semana Santa e de todo Tempo Pascal, sobretudo os seus seis Domingos, até à Solenidade da Ascensão do Senhor, este ano a 17 de Maio e ao Domingo de Pentecostes, a 24 do mesmo mês.

2 – Depois de termos refrescado a memória sobre temas básicos referentes à Quaresma, porém muito esquecidos, procuremos acolher o conteúdo específico desta Mensagem Quaresmal 2026. O Evangelho de S. Marcos conta-nos que Jesus “Apareceu, finalmente, aos próprios Onze quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que O tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: ‘Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura.

’”Encontramos paralelos destas Palavras de Jesus em Mt 28, 18-20; Mc 13,10 e Cl 1,23. Apesar da sua redacção ser diversa da que S. Marcos habitualmente usa, normalmente, concreta e pitoresca, esta perícope é “uma autêntica relíquia da primeira geração cristã”, nascida das catequeses dos Santos Pedro e Marcos e já conhecida no século II por S.to Irineu e Taciano como texto inspirado e canónico, proposto como mandato evangelizador e missionário à Fé da Igreja nascente. É esta Palavra “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura” que fundamenta o corrente Ano Pastoral na nossa Arquidiocese e nos leva a assumir o compromisso: “Comprometidos na Igreja e no Mundo”, com o objectivo de “Motivar o Compromisso Cristão ao serviço da Comunidade”.

3 – Percebemos que a Palavra de Jesus é radical e exige conversão; ela não pactua com simples aparências externas ou equívocos existenciais, exige verdade, por isso “censurou-lhes a incredulidade e a dureza de coração em não acreditarem naqueles que O tinham visto ressuscitado (…)”. Afinal onde está a autêntica confiança própria de uma comunidade, quando alguns dos seus elementos duvidam do testemunho dado por outros dos seus membros, acerca da autenticidade da ressurreição do Senhor?

Depois de todos os Onze experimentarem a Páscoa de Jesus Cristo, podem e devem tornar-se Comunidade em saída: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura.” Não somente pela sua força, ou certeza humana, mas sobretudo pelo Dom da Fé. Importa perceber a importância da experiência Pascal, pois foi essa experiência que garantiu a fortaleza e a convicção a “dois deles”, a quem Ele “se manifestou enquanto caminhavam no campo, Eles foram anunciar aos restantes, mas nem ‘nestes’ creram.” (V.12) Tão insólito era o testemunho do encontro com Jesus ressuscitado, depois de realmente ter sido comprovadamente testificado como morto! Só o clarão da Luz Pascal podia sustentar a certeza testemunhada desta verdade meta-histórica. E a Luz expandiu-se de duas testemunhas para onze, e o Senhor mandou que se expandisse pelo mundo inteiro. Esta é a missão da Igreja: semear o Evangelho, evangelizar. Assim nos assumimos como Diocese neste Ano Pastoral 2025-2026: “Peregrinos da Esperança, Comprometidos na Igreja e no Mundo”. Atrevo-me a desafiar: de peregrinos de Esperança a semeadores de Esperança, de buscadores de páscoas a testemunhas da Páscoa!

4 – O Papa Leão XIV na sua mensagem para esta Quaresma, intitulada “Escutar e Jejuar. Quaresma como Tempo de Conversão” (13 de Fevereiro), explica que a Quaresma é o tempo em que a Igreja nos convida a colocar novamente o mistério de Deus no centro de nossa vida”, de modo que “o itinerário quaresmal se torna uma ocasião propícia para ouvir a voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe até Jerusalém.”

No contexto do nosso compromisso para este Ano Pastoral, já referido, “Peregrinos de Esperança na Igreja e no Mundo”, o Santo Padre dirige-nos um apelo muito concreto e pertinente, convida-nos a renovar o nosso compromisso comunitário; “a desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. (…) Esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs.

Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.” Podemos concluir que a palavra do Papa Leão, nos encoraja a construirmos e a percorrermos novas vias de autênticas relações de confiança e humanização.

De facto, no texto do Evangelho por nós citado, apresenta-se-nos a censura de Jesus face à confiança quebrada no íntimo de uma comunidade por meio da dúvida; quando na provação, os Onze deviam manter uma autêntica relação de confiança, sem que alguém admitisse que as palavras pudessem atraiçoar a verdade que testemunhavam, mas eis que se implantou a negação, quebrando-se a unidade e impondo-se o poder das trevas. Percebemos que só recuperando a credibilidade da vida e das palavras, alcançaremos a confiança e a sustentabilidade das relações humanas e cristãs, alicerces da Esperança e da Paz. Eis um caminho a empreender; afinal uma proposta de conversão para todos nós!

5 – No pretérito Ano Pastoral 2024-2025, propusemos que a Renúncia Quaresmal da nossa Arquidiocese fosse destinada ao apoio de jovens estudantes gravemente carenciados a nível económico. Para concretizar este objectivo, solicitei à Cáritas Arquidiocesana de Évora a criação, regulamentação e administração de um programa específico de auxílio. Este programa visa apoiar alunos necessitados de todas as paróquias da Arquidiocese. Para o efeito recolhemos vinte mil euros, que entregamos prontamente à Cáritas Diocesana, e a quem, desde já, agradecemos todo o apoio logístico que prestaram
Renúncia do ano 2025. A todos os que ofereceram este montante, em nome da Igreja e dos sem voz, muito obrigado! Bem hajam!

À Cúria Diocesana, às Vigararias, às Paróquias, Comunidades Cristãs, Movimentos Eclesiais, Grupos de Vida, Jovens e Crianças da Catequese, muito obrigado.

Este ano 2026, dedicamos a nossa Renúncia Quaresmal às vítimas dos temporais no território da Arquidiocese, ou seja, em vinte e três concelhos, com óbvio e doloroso destaque para o concelho de Alcácer do Sal.

Voltamos a solicitar à Cáritas Diocesana todo o seu apoio à necessária campanha divulgativa e de esclarecimento para o incentivo espiritual e solidário das Renúncias Quaresmais, e depois na sua competente e equitativa distribuição de apoios aos casos que mais urgem.

Fecunda Quaresma e Santa Páscoa.
Abraço fraterno para todos!

Évora, 18 de Fevereiro e Quarta-feira de Cinzas, de 2026″

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