
Muitos casais preparam, para o próximo sábado, dia 14 de Fevereio, surpresas e declarações de amor. Mas, para alguns, esta data é também um momento de reflexão sobre a vida, as perdas e os recomeços. É o caso de José Manuel Rato Nunes, viúvo há 24 anos, que perdeu a esposa de forma súbita e, com determinação e apoio familiar, conseguiu reconstruir a sua vida e reencontrar o amor.
José Manuel recorda com emoção os primeiros momentos após a perda da esposa, que faleceu vítima de septicémia, num período de pouco mais de 24 horas. “Foi um momento difícil, foi de repente. Foi particularmente duro, não só pelo casamento em si, mas porque o nosso filho tinha apenas um ano e dez meses. Ou seja, não só o choque da minha esposa ter falecido, éramos casados há relativamente pouco tempo, cerca quatro anos, como também ter uma criança tão pequena, que dependia da mãe para tudo e que de repente ficou sem mãe. Foi um choque enorme.”
Apesar da dor, José Rato Nunes sabia que não podia entregar-se completamente ao sofrimento. “Se eu não tivesse um filho com essa idade, talvez pudesse ter passado um tempo isolado, entregue ao luto. Mas não era possível. Tinha um filho pequeno nas mãos e, semanas depois desse trágico dia, pensei: ‘Tenho que levar a vida para a frente’.”
O apoio da família e dos amigos foi determinante nessa fase. “Eles foram essenciais para que eu pudesse dar os primeiros passos. Não tinha nenhum plano, não tinha perspetiva de como seria o futuro. O refazer da vida foi algo que surgiu naturalmente, sem ser planeado. As pessoas falam de um período de luto, mas para mim isso é relativo. A vida traz as soluções e os problemas no tempo certo”, refere.
Rato Nunes tinha 32 anos quando se viu sozinho com um filho pequeno. A rotina diária transformou-se rapidamente: de mudar algumas fraldas por curiosidade passou a cuidar integralmente do filho. “Lembro-me de me sentir perdido. Passei de uma situação onde mudava uma fralda por achar engraçado, para mudar todas. Foi uma evolução natural, não pensada. Mas, nos primeiros tempos, sentia-me sozinho. Sentia falta de alguém próximo para conversar sobre o dia a dia, alguém para me apoiar.”
A reconstrução emocional, segundo o entrevistado, foi gradual. “Com o passar do tempo, e com a ajuda da família e amigos fui avançando. Cada pequena conquista, cada sorriso do meu filho, ajudava-me a seguir em frente. Ele cresceu comigo, acompanhou-me para tudo desde muito pequeno, e isso fez toda a diferença.”
José Manuel encontrou novamente o amor. “No início, é alguém que preenche a falta de companhia, de apoio. Com o tempo, evolui para uma relação estável, que depois se concretiza num novo casamento e na reconstrução do núcleo familiar. No meu caso, encontrei alguém cerca de oito ou nove meses após a perda da minha esposa. O casamento e o passar a vida com essa pessoa aconteceu três anos e meio depois. Tudo se deu de forma natural, sem pressas.”
Sobre o Dia dos Namorados, José Manuel revela que a data mantém para ele o mesmo significado de sempre, embora lhe dê algum valor simbólico. “Não é uma data que eu ligue particularmente, mas existe alguma importância. É um momento para relembrar a pessoa com quem partilhamos a vida e fazer algo diferente, marcar a ocasião de alguma forma”, conta.
A experiência que viveu ensinou- -lhe lições profundas sobre a vida e o tempo. “Aprendi que a vida é sábia e coloca as coisas no seu devido lugar. Aprendi que tudo tem solução, menos a morte. Que com calma, moderação e alguns erros, porque os erros também nos ensinam, podemos avançar. A vida tem a capacidade de tomar decisões certas no momento certo.”
A história de José Manuel Rato Nunes é, assim, um testemunho de resiliência e esperança. Uma prova de que, mesmo após uma perda irreparável, é possível reconstruir a vida, redescobrir o amor e celebrar as pequenas vitórias do dia-a-dia.
A sua experiência serve de inspiração para todos aqueles que aprenderam, à força da vida, que o coração humano tem uma capacidade extraordinária de se regenerar e de amar novamente.
