O PS de Portalegre defendeu hoje que se deve apurar o que “verdadeiramente aconteceu” na enxurrada ocorrida no dia 05 de fevereiro naquela cidade, considerando que têm de se identificar zonas de risco em todo o concelho.
Em comunicado publicado nas redes sociais da Comissão Política Concelhia de Portalegre do PS, é ainda proposto, no sentido de analisar a vulnerabilidade do território, que sejam definidas e aplicadas medidas preventivas, bem como feita a avaliação das estruturas existentes.
De acordo com os socialistas, estas medidas já foram propostas ao executivo municipal, liderado por Fermelinda Carvalho, que é composto por seis eleitos da coligação PSD/CDS-PP e um do PS.
“O deslizamento de terras na encosta da Serra de São Mamede, que afetou algumas das principais avenidas de Portalegre, mostrou como o nosso concelho é vulnerável a fenómenos meteorológicos extremos”, lê-se no comunicado.
No documento, o Partido Socialista “reconhece a resposta rápida, eficaz e competente” do município e das entidades envolvidas nas respostas às populações, e “agradece a todos os cidadãos e empresas” que ajudaram a repor a normalidade.
“Após o ocorrido, importa agora perceber o que verdadeiramente aconteceu e mobilizar esforços para diminuir a probabilidade de voltar a acontecer. Portalegre tem características orográficas exigentes, com muitas zonas de encosta e serra, onde estes fenómenos podem ocorrer”, considera o PS.
Por último, o PS reconhece que Portalegre não pode evitar os fenómenos atmosféricos, “mas pode aplicar medidas de diminuição” dos seus impactos.
A presidente da Câmara de Portalegre revelou à Lusa na terça-feira que já foi efetuada uma peritagem independente, ordenada pelo município, para apurar as causas da enxurrada na cidade proveniente da serra de São Mamede, que danificou 52 automóveis e pelo menos 10 habitações.
De acordo com Fermelinda Carvalho, os resultados devem ser conhecidos “na próxima semana”.
A enxurrada de água, lama e pedras ocorrida na passada quinta-feira, dia 05, foi oriunda da serra de São Mamede e abrangeu três avenidas da cidade, provocando danos em pelo menos 10 casas, em caves (número por apurar) e em 52 carros, além de ter causado três pessoas desalojadas.
Nesse dia, fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Alentejo especificou à Lusa que os locais mais atingidos na cidade foram a Avenida de Santo António e a entrada principal do hospital da cidade, tendo o alerta sido dado às 06:49.
“A ribeira galgou as margens e essa inundação fez literalmente os carros virem barreira abaixo”, arrastando veículos, detritos e pedras, disse então a mesma fonte, revelando que a entrada principal do hospital “ficou inoperacional”.
Na sequência desta situação e devido à previsão de precipitação persistente nos próximos dias para a região, a Câmara de Portalegre, no domingo, ativou o Plano Municipal de Emergência e de Proteção Civil, que está ativo até às 23:59 de dia 15.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

HYT // JLG
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