A Barragem dos Minutos, no concelho de Montemor-o-Novo, começou hoje a efetuar descargas para o Rio Almansor, após a água armazenada ter ultrapassado a cota máxima da albufeira, divulgou a câmara municipal.
Em comunicado, o Município de Montemor-o-Novo indicou que a albufeira atingiu a cota de 264,03, ou seja, ultrapassou em três centímetros o Nível de Pleno Armazenamento (NPA).
A autarquia avisou que as descargas previstas poderão causar “pequenas inundações, suscetíveis de afetar duas a três habitações”. O serviço municipal de proteção civil já notificou os habitantes de zonas potencialmente afetadas pelo aumento do caudal do Rio Almansor.
Contactado pela agência Lusa, João Mamede, responsável técnico do Aproveitamento Hidroagrícola (AH) dos Minutos, referiu que, após ter ultrapassado a cota máxima hoje madrugada, a barragem começou a libertar água pelo descarregador de superfície.
“A associação de regantes está muito contente, porque já tem água para mais três ou quatro anos de rega, o que é muito importante para a economia do concelho”, congratulou-se, lembrando que a água desta albufeira é apenas para uso agrícola.
De acordo com o responsável, a Barragem dos Minutos, com capacidade para 52 milhões de metros cúbicos de água, já não atingia a cota máxima nem procedia a descargas desde 2014, ou seja, há 12 anos.
Afastando, para já, o perigo de inundações nas zonas ribeirinhas do Rio Almansor, João Mamede explicou que esta barragem não tem comportas, pelo que, quando descarrega, “não provoca um fluxo repentino de água”.
“Descarrega lentamente” pelo descarregador de superfície e o caudal do Rio Almansor está baixo, acrescentou.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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