As infraestruturas municipais da Praia Fluvial do Alamal, no concelho de Gavião, estão destruídas, na sequência da subida do caudal do Rio Tejo, indicou hoje à agência Lusa o presidente da câmara.
De acordo com o presidente do Município de Gavião, António Severino, o bar, a pousada e os “todos os passadiços” em redor do Rio Tejo “estão totalmente destruídos”.
“Neste momento, na praia, estamos a falar de metro e meio de água que o Tejo subiu e o cenário é devastador naquilo que temos naquela infraestrutura”, acrescentou.
Além de indicar que também foram registadas algumas inundações em anexos, sobretudo na freguesia de Margem, António Severino apontou o caso da Praia Fluvial do Alamal como o “mais dramático”.
Sem avançar uma estimativa em relação aos prejuízos causados pela subida do rio na zona daquela praia fluvial, o autarca apenas referiu que “são avultados”.
“Nós vemos os passadiços a ir pelo rio abaixo, vemos o bar, a água entrou, abriu as portas, partiu os vidros e vemos muito mobiliário a sair do bar. O mesmo se passa com a pousada, o seu nível zero está com água praticamente até ao teto”, lamentou.
O autarca já tinha indicado hoje à Lusa que, na zona ribeirinha junto à praia fluvial, tinha sido preciso retirar um casal de idosos de uma casa e dois hóspedes de uma pousada.
“No espaço de uma hora, as águas subiram de tal forma que atingiram um metro e meio de altura”, relatou na altura, adiantando que o bar e o restaurante da pousada, concessionada a privados, “ficaram totalmente danificados”.
Segundo o autarca, o casal de idosos, um deles acamado, foi realojado nas instalações de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) do concelho, enquanto os hóspedes da pousada não precisaram de realojamento.
Já no concelho de Nisa, dois cidadãos estrangeiros que têm uma quinta nas imediações da ponte sobre o Rio Tejo, junto à fronteira com Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco, foram retirados de barco, estando “ambos bem”, segundo fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e proteção Civil do Alto Alentejo.
Segundo a mesma fonte, foram ambos encaminhados para Vila Velha de Ródão.
O presidente da Câmara de Nisa, José Dinis Serra, explicou também à Lusa que a quinta onde vivem estes cidadãos estrangeiros, cuja nacionalidade, género e idade disse desconhecer, terá ficado isolada.
A subida do caudal do Tejo, disse, provocou ainda estragos no passadiço da Barca d’Amieira, e na própria barca, que “foi arrancada da estrutura de suporte e virou”, e as instalações de apoio foram “pelo Tejo abaixo”.
O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, pediu hoje às populações das zonas ribeirinhas que abandonem as habitações e vão para locais seguros, alertando para as previsões de aumento intenso e rápido de caudal no Rio Tejo.
Falando aos jornalistas numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, o responsável indicou que a velocidade e a intensidade de aumento de caudal do Rio Tejo não aconteciam desta forma desde 1997.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

HYT/SM (SV) // RRL
Lusa/Fim

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