O espanhol Afonso Díaz não resistiu hoje a dar uma volta maior de carro e rumou de Badajoz até Alqueva, antes de ir até à sua propriedade agrícola, para assistir às descargas da barragem e tirar fotos.
“É a segunda vez que vejo a barragem a descarregar”, relatou à agência Lusa, explicando que fez este desvio no seu percurso de automóvel propositadamente até à Barragem de Alqueva: “Merece a pena vir aqui”.
A residir em Badajoz, na Estremadura espanhola, junto à cidade de Elvas, no distrito de Portalegre, Afonso Díaz é empresário agrícola e contou à Lusa que tem uma propriedade em Cheles, município raiano na comarca de Llanos de Olivenza e que também é ‘ribeirinho’ da albufeira de Alqueva.
“Ia para a propriedade e ouvi dizer que a barragem estava a descarregar e, por isso, resolvi vir antes por aqui para ver”, disse.
Na primeira vez que assistiu ao espetáculo da água a jorrar do enorme paredão da barragem, estavam “abertas as comportas de superfície”, mas, desta vez, a água sai a grande velocidade pelos descarregadores de meio fundo.
“É mais espetacular agora, porque é mais quantidade de água”, realçou Afonso, enquanto tirava fotos com o telemóvel para eternizar este dia, em que “não tinha assim muitas ocupações.
O vaivém de viaturas que passam e estacionam no coroamento do paredão do Alqueva não para. Quem lá vai dentro sai uns minutos, espreita pelo paredão, olha lá para baixo, para os dois ‘repuxos’ gigantes de água, tira umas fotos e, depois, segue caminho. E nem a chuva atrapalha este ritual.
Os jatos de água, um à esquerda e outro à direita, impressionam e seguem a enorme velocidade e altura em direção à Barragem do Pedrogão, alguns quilómetros mais à frente, já no concelho de Vidigueira.
A última operação de descargas controladas nesta barragem, situada entre Portel, no distrito de Évora, e Moura, no distrito de Beja, foi efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento (antes disso tinha acontecido por mais duas vezes).
Duarte Valente, de Moura, foi um dos que hoje, ao final da manhã, também fez uma paragem curta: “Vinha de Portel e vou para Moura, mas como passei aqui, parei um bocadinho para ver. Já vi das outras vezes, mas é daquelas coisas que, quando o Alqueva está a descarregar, é diferente e merece sempre uma paragem”, conta.
Uma certeza já Duarte disse ter: “Este ano, no verão, água não nos deve faltar, temos as barragens todas cheias”.
Ali ao lado, Damião Caeiro, morador em Portel, também aproveitou para filmar as descargas com o telemóvel e relatou à Lusa que a sua história com Alqueva é antiga, pois, trabalhou “40 e tal anos na EDP” e, ao serviço dos bombeiros, até tentou ir “buscar uma máquina ali mais abaixo, quando isto encheu, mas foi levada pela corrente que estava muito forte”.
As descargas “são sempre um espetáculo. Isto dá para produzir energia, estão as turbinas da central hidroelétrica a trabalhar e, portanto, é sempre bom ver tanta água a ser ‘cuspida’, é uma riqueza estar aí a passar”, argumentou.
As descargas controladas em Alqueva começaram na quarta-feira, às 16:00, através da abertura dos descarregadores de meio fundo, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do Nível de Pleno Armazenamento, informou então a empresa gestora.
Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) explicou que a operação visa responder “à persistência de caudais afluentes elevados no Sistema Alqueva-Pedrógão, que elevaram os níveis da albufeira para valores próximos do Nível de Pleno Armazenamento”.
“Prevê-se um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s) que, somado ao caudal turbinado, perfaz um caudal lançado total de 1.200m3/s”, informou.
A água proveniente das descargas de Alqueva vai seguir até à Barragem do Pedrógão, que já está a descarregar desde o passado dia 21 deste mês para o Rio Guadiana.
“O caudal descarregado na Barragem de Pedrógão será na ordem dos 1500 m3/s”, revelou a EDIA.
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Lusa

