O mercado imobiliário em Elvas atravessa um dos períodos mais dinâmicos e desafiantes dos últimos anos. A combinação entre a escassez de imóveis disponíveis, a subida rápida dos preços e o aumento da procura por parte de compradores externos está a transformar profundamente o setor na região.
A análise é de José Gaocho, agente imobiliário da REMAX FORTE em Elvas, líderes de mercado no Alentejo pelo 9º ano consecutivo.
Segundo o responsável, a cidade vive atualmente uma situação paradoxal: nunca houve tanta procura por habitação, mas nunca houve tão pouca oferta disponível.
“Hoje há menos imóveis à venda do que havia antigamente. A mercadoria que entra é mercadoria que se vende. Muitas vezes entra à sexta- -feira e está vendida à segunda-feira”, afirma.
Uma das principais transformações do mercado é a entrada de compradores vindos de fora do concelho, de outras regiões do país e também do estrangeiro. Estas pessoas escolhem Elvas pela sua qualidade de vida, segurança, tran-quilidade e preços que, apesar de terem subido, ainda são um pouco mais baixos do que nas grandes áreas metropolitanas.
No entanto, e de acordo José Gaocho, esses novos residentes enfrentam dificuldades burocráticas, sobretudo quando compram imóveis antigos para recuperação.
“As pessoas que vêm de fora sentem-se muitas vezes perdidas. Precisam de fazer obras, precisam de licenças, e os processos são difíceis. Era importante haver mais apoio da Câmara Municipal para facilitar a recuperação das habitações destas pessoas”, defende.
O agente alerta para a existência de muitos edifícios devolutos no centro histórico e considera essencial criar mecanismos que incentivem e facilitem a sua reabilitação, combatendo a degradação urbana e aumentando a oferta habitacional.
José Gaocho sublinha que Elvas está a assistir a uma subida de preços sem precedentes. “Há um ano e meio, havia T3 a 135 ou 140 mil euros. Hoje há T2 a 245 mil euros e vendem-se. Isto aproxima-nos dos preços das grandes cidades, e isso é complicado para as famílias da região”, explica.
Segundo o agente, os salários médios do Alentejo não acompanham esta evolução, o que dificulta o acesso à habitação para muitas famílias locais, sobretudo quando recorrem ao crédito bancário.
Apesar da escassez generalizada, os apartamentos continuam a ser o produto mais procurado, sobretudo nas tipologias T2 e T3. A procura estende-se tanto às urbanizações mais recentes como ao interior da cidade, onde ainda existem preços ligeiramente mais acessíveis.
“Neste momento procuram-se apartamentos em todo o lado: dentro da cidade, fora da cidade, nas aldeias. No entanto há falta de imóveis em todos os sítios”, refere.
O crédito bancário continua a ser um motor essencial do mercado. O apoio aos jovens até aos 35 anos, com financiamento até 100% do valor do imóvel, tem permitido que muitos consigam comprar a primeira casa.
“Hoje, para os jovens até aos 35 anos, está muito fácil comprar porque têm financiamento a 100%. O problema é para as outras pessoas que, na maioria das vezes, quem não tem capital próprio, porque continua a ser exigido pelo menos 10% fora desses apoios”, explica. Esta realidade, segundo José Gaocho, poderá levar a um aumento do mercado de arrendamento nos próximos anos, à medida que mais pessoas ficam excluídas da compra.
Além da compra para habitação própria, tem aumentado significativamente a compra para investimento, sobretudo para recuperação de imóveis antigos e posterior arrendamento.
“Tenho trazido muita gente para investir em Elvas. Compram vários imóveis para recuperar. Isso é muito importante para a cidade, mas precisa de ser apoiado pelas entidades públicas”, defende.
O agente acredita que, com melhores condições administrativas, Elvas poderia aproveitar este interesse para revitalizar o seu centro histórico e combater a desertificação urbana.
Quanto ao futuro, o agente é claro: não acredita numa descida dos preços.
“Quem compra por 200 não vai vender por 150. O mercado fala por si. Não vejo os preços a baixar”, diz.
Apesar das incertezas económicas, a procura mantém-se forte e a oferta reduzida, fatores que continuam a pressionar os valores para cima.
Embora a REMAX FORTE mantenha a liderança no mercado regional, José Gaocho afirma que o maior reconhecimento é humano e não apenas profissional.
“O mais bonito é quando as famílias confiam em nós, quando o pai recomenda ao filho. Muitas pessoas tratam-me como família e isso vale mais do que qualquer prémio”, explica.


