A Proteção Civil colocou quase todo o território nacional continental em estado de prontidão especial de nível 3 entre hoje e sábado, devido ao impacto previsível da neve e da agitação marítima com a passagem da depressão Ingrid.
Este nível vigora entre as 16:00 de hoje e as 23:59 de sábado.
Em conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, o comandante nacional deste organismo, Mário Silvestre, explicou que, “à exceção do Alentejo Central e do Baixo Alentejo, todo o país” vai estar sob este nível de prontidão (a escala vai de 1 a 4, sendo 4 o mais elevado).
Mário Silvestre referiu que a medida envolve um “aumento de 75% dos recursos disponíveis” do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS) e destacou que a agitação marítima “pode causar galgamentos costeiro”.
Na sequência das previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) para os próximos dias, referiu, há também um conjunto de “riscos potenciais significativos para as zonas de queda de neve”, com a possibilidade de algumas aldeias e alguns ficarem isolados, o que, além de ter impacto na vida dos cidadãos, se repercute “na capacidade de salvamento”.
O comandante alertou para um conjunto de recomendações, nomeadamente que a população evite “ao máximo a circulação nas vias rodoviárias”, e explicou que os Serviços Municipais de Proteção Civil foram alertados para fazerem uma “avaliação pontual da oportunidade de encerramento de escolas, creches, bem como serviços não essenciais”, minimizando a necessidade de deslocação das populações.
Mário Silvestre referiu ainda a necessidade de os serviços avaliarem a realização de espetáculos e eventos ao ar livre “durante o período de vigência dos avisos do IPMA, procurando minimizar a circulação mais uma vez da população, sobretudo nestas zonas potencialmente mais afetadas”.
O presidente da ANEPC, José Manuel Moura, apelou à colaboração dos cidadãos, pedindo que evitem a deslocação às zonas costeiras “para ver as ondas” provocadas pela agitação marítima ou “às serras para ver a neve”.
“Quando temos agitação marítima com algum significado, acabamos por ver uma adesão por parte da população para ir para a orla costeira para verem as ondas, e, portanto, é precisamente o efeito contrário que a gente pretende, é que não façam isso”, alertou o responsável.
José Manuel Moura disse o mesmo para quem está a pensar “subir às serras para ir ver a neve”.
   “Provavelmente muitos vão encontrar as estradas cortadas ou fechadas e, portanto, não valerá a pena ter esse tipo de atitude. Tudo isto são comportamentos de segurança que concorrem de alguma forma para no final, quando fizermos o ‘briefing’ desta situação, não termos vítimas a registar”, acrescentou.
Segundo o representante, vão ser enviadas cerca de 10 milhões de mensagens telefónicas de texto (SMS) à população com medidas de proteção.
Nuno Lopes, do IPMA, explicou que a possibilidade de aldeias ou localidades ficarem isoladas devido à queda de neve tem a ver com a neve em cotas mais baixas do que o habitual, dando os exemplos de “Viseu, Fundão ou Mêda, ou na zona centro sul, o distrito de Coimbra”, que podem vir a ter “acumulação de neve significativa”.
   O responsável não excluiu ainda que o cenário de neve se possa repetir na serra de Montejunto, distrito de Lisboa, ou na serra de Monchique, no Algarve.
“Ou seja, a cota de neve pode ocorrer em sítios onde não há a tradição de lidar com esta situação”, explicou.
Já a Guarda Nacional Republicana, de acordo com o coronel Vítor Lima, disponibilizou, através da sua Unidade de Emergência e Proteção e Socorro, “34 equipas que estarão de prevenção imediata até que termine o aviso especial de prontidão”.
   A GNR avançou já na quarta-feira com “um conjunto de medidas de prevenção e mitigação”, incluindo a informação a todas as unidades territoriais para a mobilização de viaturas todo-o-terreno, para “acorrer às localidades de difícil circulação, nomeadamente com correntes de neve nos pneumáticos”.
Vítor Lima indicou também terem sido realizados os contactos necessários com os concessionários das autoestradas e da Infraestruturas de Portugal, para que a avaliação seja feita o “mais precoce possível” e para o conhecimento de todos os meios disponíveis, nomeadamente ao nível dos espalhadores de sal e dos limpa-neves.
Os distritos de Braga, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu vão estar sob aviso vermelho por causa da neve a partir das 00:00 de sexta-feira, segundo o IPMA.
O aviso vermelho (o mais grave numa escala de três), que se prolonga pelo menos até às 09:00 de sábado, deve-se à possibilidade de queda de neve acima de 600/800 metros, com acumulação da ordem de 20 a 30 centímetros acima dos 800 metros e possível formação de gelo.
   Prevê-se uma descida pontual aos 400 metros no final da tarde de sexta-feira, com acumulações até cinco centímetros acima dos 600 metros e entre 20 e 30 centímetros acima dos 800 metros até à manhã de sábado.
   O instituto adverte para eventuais perturbações graves na circulação.
Estes são alguns dos efeitos da passagem da depressão Ingrid por Portugal continental, que começaram a registar-se na tarde de hoje, tendo o IPMA emitido vários avisos de chuva, vento, neve e agitação marítima.
Ainda por causa da neve, estão sob aviso laranja (o segundo mais grave) Coimbra, Aveiro, Castelo Branco, Guarda e Bragança, alguns já a partir das 21:00 de hoje.
Durante a tarde e início da noite de hoje são já esperados períodos de chuva, por vezes forte, em especial no litoral a norte de Sines e no interior centro e sul.
Prevê-se vento forte e com rajadas no litoral, em especial a sul do Cabo Mondego e nas terras altas do Centro e Sul será mais intenso na sexta-feira e no sábado.

RCP // ROC
Lusa/Fim

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