O aeroporto de Badajoz transformou-se, nos últimos dias, numa inesperada porta de entrada para empresários e figuras de relevo internacional. A forte pressão sobre o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, durante a realização da Web Summit, obrigou ao desvio de vários jatos privados para Badajoz.
A edição deste ano do maior encontro tecnológico da Europa arrancou esta segunda-feira e prolonga-se até 13 de Novembro, reunindo milhares de participantes e numerosas delegações governamentais. Entre os nomes mais destacados que marcarão presença contam-se a ex-tenista e empresária Maria Sharapova, o diretor da equipa Mercedes de Fórmula 1, Toto Wolff, o diretor de marketing da Meta, Alex Schultz, e o influenciador Khaby Lame, a par de fundadores de start-ups, investidores e altos quadros do setor.
A crescente dimensão do evento tem vindo a pressionar a logística de Lisboa. As entradas refletem o estatuto exclusivo do encontro: os bilhetes mais acessíveis rondam os 1.595 euros, enquanto os passes de nível Presidente, destinados a altos executivos e grandes investidores, podem atingir os 24.950 euros.
Segundo o Financial Times, a elevada procura, sobretudo de aeronaves de grandes dimensões, levou ao recurso a aeroportos alternativos, entre os quais o de Badajoz, que acolheu parte destas operações excecionais.
Capacidade do aeroporto de Lisboa há muito ultrapassada
A sobrecarga do aeroporto Humberto Delgado não é novidade. A infraestrutura regista mais de 35 milhões de passageiros por ano, ultrapassando de forma significativa a capacidade teórica de 26 milhões, de acordo com dados oficiais do operador aeroportuário português. Em média, são operadas entre 370 e 400 ligações diárias, colocando-o entre os mais sobrecarregados do sul da Europa.
Embora a maioria dos desvios afete apenas voos privados, o aumento de movimentos aéreos durante a Web Summit provocou atrasos e alterações noutras ligações comerciais, segundo fontes do setor.
A situação volta a colocar em evidência a necessidade de um novo aeroporto para a capital portuguesa. O projeto já foi anunciado e tem abertura prevista para 2034, representando um investimento estimado de 7 mil milhões de euros.
Fonte: Lá Crónica de Badajoz
