A criação de um serviço urbano de transporte público metrobus em Évora é uma das propostas estruturantes da revisão em curso do Plano de Urbanização (PU) da cidade, revelou ontem, dia 21 de Março, o presidente da câmara municipal.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, indicou que o projeto do metrobus está preconizado na proposta de revisão do PU, que já foi apresentada e agora vai para discussão pública.
“É um transporte coletivo com vias próprias e prioridade sobre todo o trânsito para ganhar tempo e, desta forma, oferecer à cidade uma alternativa de mobilidade que permita que muitas pessoas possam dispensar o carro particular”, resumiu.
Pinto de Sá admitiu que “é um projeto muito ambicioso, a longo prazo, mas fundamental para construir o futuro de Évora”, pelo que se “exige uma discussão aprofundada” sobre como se poderá concretizar e obter o respetivo financiamento.

Também em declarações à Lusa, o coordenador da revisão do PU, Jorge Carvalho, explicou que o projeto do metrobus compreende a circulação de um género de autocarros elétricos num “corredor dedicado e exclusivo” e com “prioridade em relação a outras vias”.
Este transporte público, salientou o responsável, terá “um sistema automático em que, quando chega o metrobus, abre-lhe o sinal verde e fecha o vermelho para os outros”, de forma a dar-lhe prioridade no trânsito da cidade.
“Se queremos inverter o paradigma da mobilidade instalada muito centrada no automóvel, inevitavelmente, temos que ter uma alternativa que seja preferível, mais rápida, eficiente e certinha, que não tenha atrasos”, apontou.
Segundo este especialista em urbanismo, o traçado proposto para o metrobus tem uma extensão de 14,5 quilómetros, várias paragens e é “essencialmente circular, com dois eixos, um a norte e outro a sul”.
“Conseguimos fazer um traçado, que ainda pode não ser definitivo, que se implanta essencialmente em sítios não edificados”, porque “temos a preocupação de tornar o projeto possível, exequível e barato”, sublinhou.
Quanto à revisão do PU de Évora, Jorge Carvalho realçou que a proposta agora apresentada “começa a conceber a evolução da cidade a partir da ideia de um corredor dedicado a transportes públicos”.
“Toda a cidade é desenhada com uma sequência, sobretudo de circulação pedonal, que, depois, percorre praças, onde as pessoas se encontram e onde podemos estimular a vivência urbana. E, com isso, relacionam-se também os transportes públicos”, referiu.
O coordenador da revisão do PU sintetizou que o documento propõe “um novo paradigma de mobilidade” para Évora, assente no metrobus e “em eixos de mobilidade suave, articulando todas as partes da cidade” alentejana.
De acordo com o presidente do município, a proposta de revisão do PU de Évora vai agora para discussão pública, numa “perspetiva da defesa do interesse coletivo e da compatibilização com os recursos privados que poderão ser mobilizados”.
“Há a necessidade de fazer uma consensualização de um conjunto de projetos que estão propostos e que são de interesse da cidade, mas que, para serem concretizados, tem que ser alcançado um amplo consenso”, sublinhou.
Contudo, o autarca previu que não será possível aprovar o plano no atual mandato, até às próximas eleições autárquicas, que devem decorrer em setembro ou outubro deste ano.
Pinto de Sá salientou que discutir e votar o documento “a poucos meses das eleições, certamente, iria contaminar as propostas com as questões autárquicas e isso não é do interesse de ninguém”.

SM // RRL
Lusa/Fim

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