Pelo menos 30 trabalhadores de um grupo empresarial de extração e transformação de mármore no Alentejo suspenderam os contratos laborais por salários em atraso, enquanto a administração admite dificuldades e pretende avançar com uma reestruturação.
“Devem-nos os vencimentos de outubro e novembro e o mês de dezembro já passou e também não recebemos, assim como o subsídio de Natal”, afirmou hoje à agência Lusa Nelson Curvo, funcionário de uma das três empresas do grupo.
Nelson Curvo trabalha na empresa Marmetal, cujo grupo integra ainda a Margrimar, ambas com instalações no concelho de Borba, e a ALA de Almeida, com sede no concelho vizinho de Vila Viçosa, no distrito de Évora.
Segundo este funcionário, o grupo empresarial tem “à volta de 40 trabalhadores” dispersos pelas três empresas, dos quais “cerca de 30 operários já suspenderam os contratos de trabalho e alguns até rescindiram”.
Os restantes 10 trabalhadores que exercem funções na área administrativa “não suspenderam os contratos e ainda estão a trabalhar”, salientou, desconhecendo se estes estão a receber os ordenados.
Assinalando que as empresas continuam abertas, Nelson Curvo disse que a pedreira e as duas unidades de transformação de mármore pertencentes ao grupo “não estão a laborar”, devido à suspensão e rescisão dos contratos de trabalho.
“Tivemos que abandonar o trabalho porque temos contas para pagar e temos que comer todos os dias”, mas os operários que suspenderam os contratos querem receber os ordenados em atraso para voltar ao trabalho, frisou.
O trabalhador indicou que as dificuldades no grupo começaram a notar-se em agosto de 2023, quando “as fábricas paravam com falta de gasóleo ou de embalagens”. E, já nessa altura, os funcionários “nunca recebiam a tempo e horas”.
Contactado pela Lusa, o advogado do grupo Marmetal, Ricardo Bacalhau, confirmou que as empresas têm os ordenados em atraso, mas apenas em relação a outubro e a uma parte de novembro, pois, “os trabalhadores suspenderam os contratos no dia 20” desse mês.
“Logo no início de novembro, por não terem recebido o salário de outubro, os trabalhadores deixaram de trabalhar e, depois, acabaram por suspender os contratos nos termos da lei por falta de pagamento pontual”, esclareceu.
Na sua opinião, se os trabalhadores tivessem continuado a trabalhar “pelo menos mais 10 ou 15 dias” a empresa poderia ter “conseguido fazer vendas suficientes para lhes pagar os salários”.
O advogado reconheceu que este grupo empresarial “está a atravessar alguns problemas financeiros”, atribuindo as dificuldades à crise no setor e s entraves na obtenção de crédito junto da banca.
“A empresa não vai ser desmantelada”, mas sim “reestruturada, porque há pessoas a reformarem-se e outras que rescindiram contrato”, revelou, indicando que o grupo “também está a tentar encontrar soluções para reativar a atividade”.
Recusando comprometer-se com um prazo para a resolução dos problemas, Ricardo Bacalhau limitou-se a afirmar que “estão a ser encetadas diligências junto de entidades e pessoas que podem resolver o problema durante este mês”.
“Não é uma data limite, porque pode ser em fevereiro, mas a ideia é fazer o pagamento dos salários em atraso e ativar os contratos que tiveram que ser reativados”, acrescentou.
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