O presidente da Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco, Elicídio Bilé, mostrou-se hoje preocupado com o elevado número de atendimentos a migrantes nos primeiros cinco meses deste ano, situação que “ultrapassa todas as expectativas” da instituição.
Em declarações à agência Lusa, o responsável referiu que, em 2022, efetuaram na instituição 1.282 atendimentos a migrantes, tendo nos primeiros cinco meses desse ano registado 439 atendimentos, quando, este ano e em igual período, já efetuaram 788 atendimentos a migrantes.
“Este ano, os números têm crescido por causa dos problemas com a questão da legalização, as pessoas vêm uma, duas e três vezes à Cáritas, é um número acrescido em relação ao primeiro semestre de 2022”, disse.
Os casos de pobreza da população residente em Portalegre continuam a marcar o dia-a-dia da instituição, mas a chegada de migrantes à cidade tem provocado “problemas acrescidos” à Cáritas, que está também a dar respostas a estas pessoas, numa altura em que o Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes, em Évora, não está em funcionamento.
“Na nossa cidade de Portalegre temos muitos migrantes e os migrantes trazem problemas acrescidos [além dos problemas com a população residente] e é também por esse facto que continuam a chegar cada vez mais à cidade, porque Évora não tem o Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes em funcionamento”, disse.
De acordo com Elicídio Bilé, os migrantes rumam até Portalegre porque sabem que a Cáritas Diocesana de Portalegre – Castelo Branco está nesta altura a “dar respostas”, nomeadamente ao nível burocrático junto do Estado e de necessidades básicas, tais como alojamento ou roupas.
Em relação à população residente em Portalegre, o responsável indicou que a instituição está a dar apoio a “cerca de 60 famílias” mensalmente.
“Não se sente que haja uma retração em relação às pessoas virem pedir ajuda. Continuam a pedir ajuda, porque a situação ainda não se faz sentir na carteira das pessoas, as dificuldades que existiam continuam a existir, podem estar ligeiramente atenuadas, mas, para os pobres, nunca está atenuada”, disse.
“Nós não sentimos que haja uma diminuição quer na procura de ajuda, quer até na quantidade de coisas que as pessoas necessitam, sobretudo na questão dos alimentos continuam a vir da mesma forma”, acrescentou.
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