A Assembleia Municipal de Borba, no distrito de Évora, chumbou a proposta da câmara, liderada por um movimento independente, de orçamento para 2023, revelou hoje o presidente do município.
Em declarações à agência Lusa, o autarca de Borba, António Anselmo, eleito pelo Movimento Unidos por Borba (MuB), disse respeitar a decisão dos partidos da oposição, sublinhando que “em democracia manda a maioria e a maioria decidiu assim”.
“Naturalmente, iremos tentar resolver a situação da melhor maneira para o bem de Borba”, pois “havendo bom senso, resolve-se”, afirmou, admitindo estar disponível para negociar a inclusão de medidas da oposição numa nova proposta de orçamento.
A proposta de orçamento municipal, no valor de cerca de 14 milhões de euros, foi chumbada com os votos contra de seis eleitos do PS, três do PSD e um da CDU, num total de 10 votos desfavoráveis, enquanto os nove deputados do MuB votaram a favor.
Reconhecendo que “cada um terá as suas opiniões políticas e as suas ideias para Borba”, António Anselmo, que está a cumprir o terceiro mandato, salientou que, neste caso, “o que está em causa é a terra e o desenvolvimento do concelho”.
“Acho que todas as forças políticas que estão na assembleia municipal querem o melhor para o concelho de Borba e, com bom senso e equilíbrio, vamos resolver a situação”, limitou-se a adiantar o autarca alentejano.
Também em declarações à Lusa, Agnelo Baltazar, eleito do PS na Assembleia Municipal de Borba, justificou o voto contra dos socialistas com “o abandono de projetos” que estavam previstos “há uma série de anos” para o concelho.
“Desistiram deles e passam, agora, para outros, que pensamos que é empurrar obras com a barriga para frente e comprometer o desenvolvimento do concelho”, realçou, apontando como outra das razões do voto contra a “falta de diálogo” da gestão do MuB.
Agnelo Baltazar notou que o PS está “à disposição” da gestão do município para negociações que permitam a apresentação de um orçamento que “seja favorável à melhoria das condições de vida da população e que projete o futuro”.
Já Maria João Lopes, eleita do PSD no mesmo órgão autárquico, explicou à Lusa que “o ponto maior” que levou os deputados sociais-democratas a votar contra o documento foi o abandono a que foram votadas as freguesias rurais.
“O orçamento ignora por completo os investimentos e os projetos para as freguesias rurais, em especial a de Rio de Moinhos, que não tem qualquer verba inscrita” no documento, tal como Orada, sustentou.
Esta deputada municipal do PSD apontou ainda “a ausência de investimento” no próximo ano e o “empurrar” da maioria dos projetos para o ano seguinte, dado que “dos 169 projetos inscritos no orçamento, só 33 têm data prevista para 2023”.
Por sua vez, o presidente da Assembleia Municipal de Borba e único eleito da CDU, Jorge Pinto, disse ter votado contra por ter sido colocado à votação “um plano irreal para uma realidade de desastre”.
A gestão do MuB “tem apresentado sistematicamente orçamentos incumpríveis, jogando sempre para a frente enormes promessas, que depois vão caindo umas atrás das outras sem nunca terem sido concretizadas”, argumentou.
Entre outras razões, o eleito da CDU apontou as baixas taxas de execução do atual quadro comunitário e dos contratos-programa com entidades nacionais e a falta de projetos previstos para o próximo quadro e o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

SM // MLS
Lusa/

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