O presidente executivo (CEO) da Galp, Andy Brown, afirmou, num painel na Web Summit, que o mundo está a entrar num período em que “a energia barata vai deixar de existir”.
“Acho que estamos a entrar num período em que a energia barata vai deixar de existir. Haverá alterações maciças aos nossos hábitos de consumo e à forma como utilizamos energia e teremos de nos habituar a imensa volatilidade”, afirmou Brown no painel ‘Energia na Europa: O que se Segue?’.
Para o CEO da petrolífera, o actual preço da energia deve-se “tanto a um subinvestimento, como quanto à guerra na Ucrânia”.
“O preço da energia antes da guerra era mais alto que agora, o preço do gás no final do ano passado era mais alto que agora, por isso é preciso olhar para todo esse espectro”, referiu Andy Brown.
Uma das razões para estes procedimentos, segundo o gestor, é porque as empresas produtoras de energia estão a ser encaminhadas para uma alternativa sem investimento no petróleo e no gás, mas “a alternativa não está preparada para dominar”.
O CEO da Galp remeteu para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, que estima que é necessário um investimento de 125 biliões de dólares até 2050.
“São entre três a quatro biliões por ano, que é o dobro do que investimos hoje em dia, e se se vai investir o dobro, a energia vai custar o dobro”, estimou.
Uma das soluções passa por fortalecer o capital das empresas, de modo a poderem reinvestir nestas produções – e, para isso, é necessária uma colaboração dos governos.
“O que precisamos de fazer é, por exemplo, e nós temos aqui uma refinaria [Sines], temos de a transformar, e para isso precisamos de investir, temos de arranjar forma de fortalecer o capital para o fazer. Temos de ter os governos a regular e a colocarem incentivos para que quando houver uma subida dos preços, que o dinheiro gerado não seja apenas taxado e distribuído, mas sim alocado para a energia do futuro”, defendeu.
Andy Brown garante que a Galp vê um futuro com menores emissões de dióxido de carbono, mas também alertou para os actuais hábitos de consumo, que colocam os produtos derivados dos hidrocarbonetos como eixos sobre os quais rodam.
“Vemos que o futuro vai ser descarbonizado, sabemos que vamos ter de arranjar soluções técnicas, mas reconhecemos que as pessoas em Portugal continuam a viver as suas vidas em torno dos combustíveis fósseis, por isso não podemos abandonar essa responsabilidade, temos de ser parte dessa responsabilidade”, garantiu.
Andy Brown mostrou-se ainda entusiasmado com o hidrogénio verde, acreditando que “vai trazer muitas soluções”.
Sobre as recém-realizadas eleições no Brasil, vencidas por Lula da Silva, que irá substituir o presidente cessante, Jair Bolsonaro, o líder da empresa não acredita que a mudança nas políticas possa afectar a sua actividade.
“No meu trabalho anterior costumava ir imensas vezes ao Brasil. Conheci a presidente Dilma [Rousseff], que também era de esquerda, passámos também pelo presidente [Michel] Temer. Tivemos Governos que eram de esquerda e de direita, mas o Congresso é mais central”, referiu.
Sobre o seu futuro, Brown deixou as portas abertas e diz que “ainda está por decidir”.
“O que aí vem ainda está por decidir. Não quero deixar o sector da energia”, concluiu o gestor britânico, acrescentando que nos próximos anos é fundamental fazer as decisões certas.

JO // MSF
Lusa

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