A artista Adriana Proganó, ontem distinguida, por unanimidade, com o Prémio EDP Novos Artistas 2022, mostrou-se “grata e feliz” com o galardão, mas considerou que “faltam mais apoios” para o sector das artes visuais.   
Feliz por ter sido a escolhida, a criadora, que concorria pela segunda vez ao prémio, venceu com uma obra intitulada “Little Brats”, que pode ser traduzido para português como “pestezinhas” ou “crianças malcomportadas”, em que as figuras fogem das pinturas e ocupam o espaço do museu onde se encontram.
Contactada pela agência Lusa, e ainda emocionada com a distinção, Adriana Proganó disse sentir-se “muito contente”, mas considerou que para os artistas visuais, em Portugal, “faltam apoios, espaços de exposição, falta um bocado de tudo”.
“É preciso motivação para [os artistas visuais] poderem continuar a trabalhar, ou desmotivam-se e acabam por se perder ou fazer outras coisas”, alertou a artista de 30 anos, nascida em Lucerna, na Suíça, e formada nas Caldas da Rainha, onde tirou uma licenciatura e uma pós-graduação em artes plásticas na Escola Superior de Artes e Design.
O Prémio EDP Novos Artistas, no valor de 20 mil euros, atribuído pela Fundação EDP para promover a arte contemporânea emergente, foi atribuído por unanimidade a Adriana Proganó, e o júri distinguiu também com uma menção honrosa Bruno Zhu, pela obra “Vida”, escolhidos nesta 14.ª edição do galardão por um júri internacional entre mais quatro finalistas.
“É um prémio com grande importância a nível nacional, e que eu já queria há muito tempo. Estou muito grata por me terem dado esta oportunidade”, comentou à Lusa a artista que estudou também pintura na Academia de Belas Artes de Veneza, em Itália, entre 2015 e 2016, e, em 2020, esteve em residência artística na Thirdbase, em Lisboa.
A concurso, apresentou uma exposição de pintura, um projeto que já pretendia realizar há muito tempo, “mas só agora estava pronto para ser materializado”, e que concretizou nos últimos meses, podendo ser visto na exposição conjunta dos finalistas até 06 de fevereiro de 2023 no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Belém.
“Queria brincar um bocado com a ideia de qual é o limite que separa a pintura da escultura, porque sempre foi um interesse meu querer que as figuras das minhas pinturas saíssem das telas para outros lugares. Já tinha feito umas instalações sobre isso. Comecei a imaginar estas figuras que saiam e se instalavam no espaço, e acabam por fazer estas asneiras, a destruir o museu, sendo elas em si parte do museu”, descreveu.
Atualmente, Adriana Proganó – que expõe regularmente desde 2017 – tem duas pinturas expostas no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) – “Ciciolina” (2020) e “Nascer do Sol” (2022) – integradas na exposição coletiva “Aqui somos rede”.


Entre outras, realizou as exposições individuais “Garden” (2018), na Galeria Lehmann + Silva, no Porto, “Oouups” (2019), na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, e “Somos todos patos a querer ser cavalos” (2020), na Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, em Almada.
Ao prémio concorriam mais quatro finalistas: Andreia Santana, Maria Trabulo, René Tavares e Rita Ferreira.
O júri foi presidido por Vera Pinto Pereira, presidente da Fundação EDP, e composto pela curadora do Museu de Arte de São Paulo Amanda Carneiro, pela artista Luisa Cunha, pelo crítico de arte e curador da Casa Museu Eva Klabin, no Rio de Janeiro, Marcio Doctors, pela artista, curadora e investigadora Ana Rito, e por Miguel Coutinho, administrador executivo e diretor-geral da Fundação EDP.
O trabalho da artista Adriana Proganó – uma obra em pintura expandida tridimensional que se transforma em escultura – destacou-se, segundo a ata do júri, “pela ousadia, ao produzir algo inédito dentro da sua própria trajetória, em diálogo com os temas e as linguagens a que se tem dedicado”.
O júri salientou ainda “a singularidade desta proposta, que, aliando ironia e humor à critica institucional, apresenta um olhar renovado da prática da pintura e do seu prolongamento no campo do objeto”.
A curadoria da exposição com o nome do prémio é de Luís Silva, Luísa Santos e Sara Antónia Matos, que também foram júri de nomeação, tendo selecionado os seis artistas entre mais de 700 candidaturas recebidas nesta 14.ª edição.
Nas edições anteriores, o Prémio Novos Artistas Fundação EDP distinguiu Joana Vasconcelos, Leonor Antunes, Vasco Araújo, Carlos Bunga, João Maria Gusmão + Pedro Paiva, João Leonardo, André Romão, Gabriel Abrantes, Priscila Fernandes, Ana Santos, Mariana Silva, Claire de Santa Coloma e Diana Policarpo.

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