A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) defendeu hoje a abertura de um inquérito pela Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI), na sequência da detenção de um militar do Posto de Nisa por insubordinação e desobediência.
Em declarações aos jornalistas, o coordenador da região sul da APG/GNR, António Barreira, sublinhou que “é importante”, no decorrer do inquérito, que sejam também ouvidos todos os militares do destacamento de Nisa.
“Espero que, e é isso que nós apelamos, que a própria Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) abra um processo de inquérito e que ouça os militares todos daquele destacamento. É importante não ouvir só sargentos e oficiais, mas ouvir também os guardas que lá prestam serviço”, disse.
A GNR abriu um processo disciplinar interno a um militar do Posto de Nisa detido por insubordinação e desobediência, após apresentar-se ao serviço alcoolizado, e comunicou os factos ao Departamento de Investigação e Ação Penal.
“A Guarda Nacional Republicana confirma a detenção de um militar da GNR de 21 anos, no dia 15 de agosto, no Posto Territorial de Nisa, pela prática dos crimes de insubordinação e desobediência”, assume num esclarecimento hoje divulgado.
A nível interno, “foi aberto um processo disciplinar ao militar e foi solicitado ao Centro Clínico da Guarda uma avaliação e o acompanhamento psicológico/psiquiátrico deste militar”, diz a força de segurança.
Todos os factos foram participados e comunicados ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) pelo comandante de Destacamento Territorial de Nisa, destaca a Guarda.
A detenção do militar aconteceu “na sequência de se ter apresentado para o serviço de patrulha, entre as 08:00 e as 16:00, acusando uma taxa de alcoolemia de 1,19 g/l, comprovada por aparelho quantitativo”, pode ler-se no esclarecimento da GNR.
A resposta da GNR surge após uma notícia publicada hoje no jornal Correio da Manhã (CM) com o título “Suspeitas de tortura em posto da GNR de Nisa”.
Segundo a GNR, ”o militar, quando confrontado com o resultado do teste em causa, apresentou um comportamento desajustado, alterado e tentou destruir as provas, nomeadamente o registo e resultado do teste de alcoolemia”, e foi “detido pelo crime de insubordinação e desobediência perante os seus superiores hierárquicos”.
“Foi conduzido à cela do Posto, tendo-lhe sido retirada a farda que vestia, por questões de segurança”, acrescenta a Guarda.
O coordenador da APG/GNR considera ainda que “não é normal” este tipo de situações e que existem “sinais” de outros casos no destacamento de Nisa, nomeadamente contactos de militares com o gabinete de psicologia da GNR, bem como várias situações “sucessivas” de baixas médicas.
“Não é normal e há sinais que nos mostram e são indicadores, de telefonemas para o gabinete de psicologia de vários militares, situações de baixas sucessivas de elementos pertencentes ao efetivo do posto de Nisa”, lamentou.
“Quando há militares patrulheiros que procuram ajuda médica e que sucessivamente são colocadas baixas médicas, algo está mal e, portanto, isso tem de ser avaliado”, acrescentou.
O coordenador da região sul da APG/GNR defende ainda que este caso, que envolve um militar da GNR que está “há pouco mais de cinco meses” ao serviço, deve ser apurado pela Justiça, sendo este o “sítio correto” para apurar responsabilidades.

HYT (RRL) // MCL
Lusa

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