O ciclista norte-americano Scott McGill (Wildlife Generation Pro Cycling) venceu hoje a primeira etapa da 83.ª edição da Volta a Portugal, com Rafael Reis (Glassdrive-Q8-Anicolor) a manter a liderança.
Num ‘sprint’ reduzido por uma queda a pouco mais dois quilómetros da meta, instalada em Elvas, 193, 5 quilómetros após a partida em Vila Franca de Xira, McGill venceu em 4:30.28 horas, o mesmo tempo do britânico Oliver Rees (Trinity Racing) e do uruguaio Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor), segundo e terceiro classificado, respetivamente.

Na geral, Rafael Reis mantém a liderança, à frente de Mauricio Moreira e Oliver Rees, que ocupam os dois seguintes lugares do pódio.
Na sexta-feira, a segunda etapa parte de Espanha, de Badajoz, com 181,5 quilómetros até Castelo Branco, num percurso com três contagens de montanha de terceira categoria.

Reis escapou por pouco à imprevisibilidade de uma Volta que ficará na memória de McGill

Scott McGill inaugurou hoje o seu palmarés ao conquistar uma primeira etapa de final atribulado na Volta a Portugal em bicicleta, que não alterou as contas da geral, apesar do camisola amarela Rafael Reis ter chegado à meta ‘cortado’.
O ciclismo, recordou Reis, é imprevisível e, hoje, após uma monótona tirada, demasiado longa (193,5 quilómetros desde Vila Franca de Xira) e demasiado quente, uma queda trocou as voltas ao pelotão: após um estreitamento perigoso, Tomas Contte (Aviludo-Louletano-Loulé Concelho) caiu e causou um efeito ‘dominó’, que apanhou Tiago Antunes (Efapel) e quase derrubou o líder da geral.
“Mesmo na placa dos últimos três quilómetros, estava um estreitamento muito perigoso. E, depois, aquilo foi uma confusão: muita gente fora do separador, fora da barreira dos três quilómetros. Depois, entraram numa rotunda outra vez, depois saíram. Acabou por haver uma queda à falta de dois, ia-se a muita velocidade. Houve alguém que ficou gravemente lesionado, vi bicicletas partidas, e eu acabei por me conseguir salvar. Levei só uma canelada”, descreveu o ciclista da Glassdrive-Q8-Anicolor, depois de ver o colégio de comissários atribuir-lhe o mesmo tempo do vencedor da etapa.
Perante o cenário caótico, a vitória de Scott McGill (Wildlife Generation) quase passou despercebida, embora o jovem norte-americano se tenha imposto com autoridade em Elvas, com o tempo de 04:30.28 horas, diante do líder da juventude, o britânico Oliver Rees (Trinity Racing), e de Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor), cada vez mais perto da sua melhor ‘versão’ – o uruguaio mantém-se na segunda posição, a nove segundos de Reis, com Rees em terceiro à mesma distância.
A primeira etapa em linha era também a tirada mais longa da 83.ª edição e, como já começa a ser tradição, a LA Alumínios-Credibom-MarcosCar fez as ‘honras’ de inaugurar as tentativas de fuga, lançando para a frente João Macedo, rapidamente alcançado por Fergus Browning (Trinity Racing) e José Maria García (Electro Hiper Europa-Caldas).
Ao quilómetro 16, o trio estava transformado em quarteto, depois de Victor Manakov (ABTF-Feirense) saltar do pelotão para ‘apanhar’ os aventureiros, que nessa altura já tinham quatro minutos de vantagem.
Com Rafael Reis vestido de amarelo, coube à Glassdrive-Q8-Anicolor assumir as despesas da perseguição, uma tarefa partilhada com a Burgos-BH – e a 100 quilómetros da meta, a fuga já só tinha 01.35 minutos de diferença.
Passada a meta volante de Arraiolos, Browning, o ciclista mais novo desta Volta (ainda não cumpriu os 19 anos), parou à espera do pelotão, abdicando de uma fuga que parecia inevitavelmente comprometida quando Manakov descolou.
Mas com mais de 70 quilómetros ainda por cumprir, a Glassdrive-Q8-Anicolor abrandou o ritmo – era demasiado cedo para a escapada acabar – e deixou os dois resistentes sonharem um pouco mais, concedendo-lhes uma margem que superou os três minutos.
“Acabámos por fazer um grande trabalho de equipa. O Afonso [Eulálio] e o Fábio [Costa] estiveram soberbos, se calhar até um bocadinho de mais, porque a fuga estava sempre muito perto”, brincou, depois, o camisola amarela, elogiando os seus jovens colegas responsáveis pelo fim da aventura da jornada.
Na aproximação a Elvas, Macedo, de 20 anos, ficou sozinho na frente e foi tentando por tudo passar isolado na última contagem de montanha do dia, uma missão que falhou por muito pouco, ao ser ‘absorvido’ pelo pelotão a 23 quilómetros da meta, já depois de Moreira avariar, mudar de bicicleta e ainda ter de a ‘afinar’ em andamento.
“Depois da etapa de hoje, no mínimo, queria a camisola da montanha”, lamentou no final o ciclista da LA Alumínios-Credibom-MarcosCar, ‘destronado’ pelo ‘habitué’ Hugo Nunes (Rádio Popular-Paredes-Boavista), que ‘agarrou’ a oportunidade de ser líder da classificação que já venceu em 2020 ao passar em primeiro na quarta categoria de Vila Boim.
Anulada a fuga, estavam reunidas as condições para uma chegada ao ‘sprint’, algo que McGill aproveitou para se estrear a vencer na carreira. “É um alívio”, disparou o jovem norte-americano de 23 anos, que se apressou a telefonar à namorada para contar a boa nova: “tinha de lhe dizer, porque ela estava no trabalho, infelizmente não pôde ver a corrida”.
Quem sabe se no sábado, quando o pelotão completar os 181,5 quilómetros entre Badajoz – a Volta dá um salto a Espanha, acompanhando a tendência de internacionalização das grandes Voltas -, e Castelo Branco, a namorada de McGill não poderá sintonizar a emissão para ver nova chegada ao ‘sprint’, que o ciclista da Wildlife Generation disputará vestido com a camisola verde dos pontos.

NFO/AMG // NFO
Lusa

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