O presidente da Câmara de Vila Viçosa, Inácio Esperança, mostrou-se ontem preocupado com o consumo exagerado de água do sistema público, atendendo à seca, e admitiu subir para “um preço proibitivo” as tarifas dos maiores consumidores.
“Estamos a ter um consumo de água completamente absurdo no concelho, à volta de seis mil metros cúbicos por dia, que é três vezes mais o consumo diário no inverno”, disse à agência Lusa o autarca alentejano, eleito pelo Movimento por Vila Viçosa – Coligação Partidária PSD/CDS-PP/MPT/PPM.
Inácio Esperança apelou aos consumidores para moderarem os consumos de água, assinalando que, devido à seca meteorológica, “o que chove é muito pouco e não dá para a reposição dos níveis freáticos”.
“As pessoas gastam água desnecessariamente”, vincou, lamentando que haja “cada vez mais pessoas” que fazem a lavagem dos passeios das ruas, fachadas, telhados e carros, o enchimento de piscinas de plástico e a rega de hortas.
A Câmara de Vila Viçosa, no distrito de Évora, detém todo o sistema público de abastecimento de água no concelho e recorre a captações subterrâneas, os denominados furos, para fornecer água às populações.
Considerando que as campanhas pedagógicas já não funcionam para a redução dos consumos, o presidente do município admitiu que o preço da água no concelho pode vir a “aumentar para um preço proibitivo”, com o objetivo de “controlar os gastos excessivos”.
“Somos o concelho que tem a água mais barata de todo o distrito de Évora e admitimos aumentar o preço a partir de um determinado nível de consumo e manter baixo para níveis aceitáveis, até 10 ou 11 metros cúbicos por mês”, adiantou.
Segundo o autarca, o abastecimento público no concelho ainda não sofreu cortes relacionados com a escassez de água e as interrupções que têm ocorrido com frequência devem-se às ruturas na rede, que “é obsoleta, com mais de 40 anos”.
Contudo, avisou Inácio Esperança, os níveis freáticos que abastecem Vila Viçosa estão a baixar e, numa zona de pedreiras em laboração, a água nos furos pode “desaparecer de um dia para o outro”.
Mais de um quarto do território do continente estava no final de junho em seca extrema (28,4%), verificando-se um aumento em particular na região Sul e em alguns locais do interior das regiões Norte e Centro, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O restante território estava em seca severa (67,9%) e seca moderada (3,7%).
No último dia do mês de maio, 97,1% do território estava em seca severa, 1,5% em seca moderada e 1,4% em seca extrema.
No final de junho, os valores de percentagem de água no solo continuavam muito baixos em todo o território e em especial no interior do Norte e Centro, no Vale do Tejo, no Alentejo e no Algarve.

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