O abastecimento público de água em duas localidades do concelho de Montemor-o-Novo, está a ser assegurado através de autotanques dos bombeiros, devido à seca, revelou hoje o presidente da câmara municipal.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do município, Olímpio Galvão, indicou que Santiago do Escoural e Silveiras enfrentam “dificuldades” de abastecimento, pelo que os bombeiros já estão a transportar água para os depósitos destas povoações.
O depósito de água de Santiago do Escoural começou a ser abastecido “há duas ou três semanas” e, agora, o fornecimento é feito “quatro a oito vezes por dia”, com um autotanque dos bombeiros com capacidade para “16 mil litros”, adiantou.
Já em Silveiras “a situação não é tão grave”, salientou o autarca, realçando que o mesmo camião-cisterna da corporação leva água ao depósito desta freguesia “dia sim, dia não, só para não se notarem falhas” no abastecimento.
Olímpio Galvão sustentou que a falta de água nos furos destas duas freguesias está relacionada com a seca meteorológica que atinge o país, pois, “a precipitação acumulada foi à volta de 73% do que devia ter sido, até final de junho, na área do concelho”.
“Além de estar abaixo da média anual, a precipitação não é homogénea no concelho e chove sempre menos na zona da Bacia Hidrográfica do Sado”, onde se situam as localidades de Santiago do Escoural e de Silveiras, referiu.
Segundo o autarca, outras duas povoações no concelho, São Cristóvão e Cabrela, igualmente situadas na área da mesma bacia hidrográfica, também “poderão vir a sentir dificuldades” de abastecimento de água, este verão.
No caso de Santiago do Escoural, os recursos “são todos de captações de águas subterrâneas”, nomeadamente “um poço, uma galeria de mina e quatro furos”, os quais “dependem sempre da precipitação e da infiltração” da água no solo, disse.
Com a seca, estes recursos “têm tido uma baixa produtividade”, além de apresentarem “problemas de qualidade da água”, devido à “presença de maior concentração de ferro”, o que exige “mais tratamento”, sublinhou Olímpio Galvão.
Realçando que “a baixa produtividade dos furos leva à necessidade desta compensação” de água pelos bombeiros, o autarca frisou que estão em curso outras medidas, como a redução da rega de espaços verdes e a desativação de fontes e fontanários.
“Estamos também com uma campanha de sensibilização para a moderação dos consumos”, frisou.
Na próxima semana, será testada a “capacidade e qualidade da água” de dois furos que poderão vir a abastecer Santiago do Escoural e está igualmente prevista a realização de “mais um furo” em Silveiras para que esta água possa servir, “a curto prazo”, para o abastecimento público nesta localidade, indicou.
Também em declarações à Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Santiago do Escoural, José Geraldo, mostrou-se preocupado com os problemas da falta de água, mas vincou que a situação está controlada.
“Assim que foi detetado que o nível do depósito da água tinha baixado, os bombeiros começaram logo a atuar e isso fez com que não houvesse problemas”, assinalou.
José Geraldo assinalou que não é a primeira vez que a vila enfrenta a falta de água e que o problema “verificou-se há uns anos”, indicando que, na altura, foram feitos “mais alguns furos” que resolveram a situação.
“Agora, esses furos que foram feitos já não são suficientes”, reconheceu.

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