Com as temperaturas altas a ‘apertarem’, os habitantes de Évora, já habituados ao tempo quente, mantêm as rotinas, mas ‘abrigam-se’ do calor nas sombras e bebem mais água e os turistas seguem os mesmos ‘truques’.
É o caso de Michael Portman, um turista norte-americano de Austin, no Texas, nos Estados Unidos, que se refresca com uma garrafa de água em frente ao Templo Romano de Évora, em pleno centro histórico da cidade alentejana.
“É muito quente em Austin mas ainda é mais quente aqui”, afirma à agência Lusa Michael Portman, que, juntamente com a família, está a realizar uma visita de 10 dias a Portugal.
Este turista norte-americano diz que o calor que se faz sentir em Évora “não é problema” e sublinha que o combate a beber muita água e a aproveitar as sombras.
“As atividades mais físicas ficam para a manhã, até ao almoço, e para a noite”, acrescenta.
Os turistas, em pequenos ou grandes grupos e muitos deles protegidos com chapéus, lenços e de garrafas de água na mão, veem-se, sobretudo, junto dos principais monumentos da cidade.
Um dos pontos de passagem obrigatória é a Praça do Giraldo, considerada a ‘sala de visitas’ de Évora, que, ao final da manhã, com os termómetros já quase 40º, tem um movimento igual a tantos outros dias.
“Já está uma brasa”, comenta Miguel Salsinha, habitante da cidade, sentado num dos bancos da praça, afiançando, porém, que está habituado a estas temperaturas e que não altera as suas rotinas devido ao calor.
O jardim público é, talvez, um das zonas mais frescas da cidade e, ao final da manhã, o espaço está concorrido, com turistas e habitantes a aproveitarem as sombras das árvores para descansar.
“Todos os dias venho ao jardim. Só se houver alguma impossibilidade é que não venho”, nota Luís Matos, de 85 anos, com um jornal na mão e outros pousados no banco do jardim, além de duas garrafas de água.
Este idoso diz que, apesar das temperaturas quentes, não quebrou este hábito. A sua única mudança foi comprar duas garrafas de água de meio litro em vez de apenas uma, como é habitual.
Natural de Odemira, no distrito de Beja, e a viver em Évora há 48 anos, Luís Matos garante que “o alentejano já está preparado para isto”.
Quando chegar a casa, a ‘receita’ também é simples: “É fechar os estores” e ficar “numa das divisões que tem ar condicionado”.
Há quem se refresque ao passar por perto dos pivôs de rega do jardim e Clementina Brito, funcionária do município, que está com uma mangueira a regar a relva, flores e árvores, já ajudou um mais encalorado.
“Um senhor ia a correr e disse-me assim: ‘Agora, quando eu passar, vire-me para cá a mangueira’”, conta, admitindo que lhe fez o favor.
De passagem pelo jardim público, a caminho do hotel, uma família de Barcelos que está de visita à cidade aproveitou para passear durante a manhã.
“Já gastámos tanto dinheiro em água aqui em três dias como no ano todo”, brinca Eliana Ferreira, prevendo só voltar a sair do hotel no final da tarde.
Évora é um dos distritos de Portugal continental que está hoje sob aviso vermelho, o mais grave, devido ao tempo quente, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Segundo o Instituto de Ciências da Terra (ICT) da Universidade de Évora, as temperaturas elevadas dos últimos dias devem-se à presença de um anticiclone a nordeste dos Açores, estendendo-se em crista até à Grã-Bretanha/Golfo da Biscaia, que “induziu um fluxo de leste que transportou ar seco e muito quente”.
Flávio Couto, investigador do ICT, citado no comunicado, indicou que o que é esperado é que o interior do Alentejo continue a braços com a onda de calor até à próxima sexta-feira, uma “situação atípica”.

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