O Aqueduto da Amoreira, um dos mais imponentes construídos em Portugal, edificação que teve início em 1529 com as obras da captação na Amoreira, até à entrada de água no interior da cidade (Fonte da Misericórdia, 1622), comemora hoje 400 anos.

A sua edificação contou com a intervenção do mestre de obras reais Francisco de Arruda e, numa segunda fase, com o mestre das obras Afonso Álvares. A centúria de Seiscentos vaticinara por diversas vezes a sua ruína, considerando-se a sua destruição em detrimento das obras da fortificação da cidade. Ainda assim, o abastecimento da cidade pelo Aqueduto da Amoreira viria a apresentar um normal funcionamento até ao último quarto do século XX.

O Aqueduto da Amoreira é, sem sombra de dúvida, o bilhete-postal que muitos dos que nos visitam levam na memória.

Sobre a efeméride, o presidente da edilidade, José Rondão Almeida, deixou uma mensagem nas redes sociais onde refere que o Aqueduto da Amoreira é “uma obra que levou quase um século para estar concluída, o que viria a acontecer em 1622, quando a água começou a correr na Fonte da Misericórdia. Os elvenses foram os grandes ´financiadores´ deste enorme monumento já que devidos às elevadas despesas de construção foi necessário reforçar os impostos para financiar a construção, o denominado imposto do Real d’Água.

Aqueduto da Amoreira

Um monumento que foi classificado em 2012 Património Mundial, pelo seu estado de conservação e autenticidade. Uma obra gigantesca, com mais de 8 km de extensão, 843 arcos, e que se desenvolve desde a nascente principal em galerias subterrâneas numa extensão de 1367 metros e depois ao nível do terreno e em arcadas que chegam a superar os 30 metros de altura.

Uma obra prima de arquitetura, cuja construção foi dirigida por Francisco de Arruda, que foi também o responsável pelas obras da Sé de Elvas.

Aqueduto Amoreira Arcos Elvas

Hoje em dia, para manter o estado de conservação deste monumento ímpar em todo o mundo, decorrem trabalhos de requalificação, que lhe vai permitir continuar a ser o pano de fundo de tantas memórias de elvenses e turistas.

Cabe-nos a todos zelar pelo nosso património e a Câmara Municipal tudo fará para manter e conservar o que é de todos nós!”

Aqueduto é tema central da V Conferência Internacional

A V Conferência Internacional de Elvas (CIE), que este ano está subordinada ao tema “400º aniversário do Aqueduto da Amoreira, boas práticas na gestão sustentável do património hidráulico”, vai decorrer esta sexta-feira, dia 24, a partir das 9h00, na Casa da História Judaica.

A iniciativa vai contar com a participação de um conjunto de estudiosos e investigadores, nacionais e estrangeiros, para debater a questão da arquitetura da água e aferir dos variados interesses que essas infraestruturas detém por via de diferentes edificações nacionais e internacionais.

Aquele que é o monumento ex-libris da cidade de Elvas, encontrar-se-á aberto ao debate de ideias, permitindo colocá-lo em análise comparativa com outros exemplares existentes em território nacional e no estrangeiro, construídos em períodos diversos, apresentando todos eles uma mesma função: o abastecimento de água às populações. Face ao mencionado anteriormente pretende-se promover o debate em diversas perspetivas, assente num conjunto de linhas orientadoras, a saber:

– O valor utilitário e artístico dos diversos exemplares arquitetura da água;

– Os aquedutos e as redes de abastecimento de água às populações;

– A importância da água no decorrer do tempo: a utilidade primária e lúdica;

– Conservação e restauro. A importância da preservação do património hidráulico;

A anteceder esta iniciativa, na quinta-feira, dia 23, pelas 19h00, inaugurar-se-à a exposição “Um Aqueduto entre Aquedutos”, na Cisterna da Praça.

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