O presidente do Núcleo Empresarial da Região do Alto Alentejo (NEAA), João Carlos Lobato, alertou ontem que há empresas na região a “ponderar parar” a produção devido aos custos da energia elétrica, gás e combustíveis.
“Os nossos associados estão muito preocupados com a situação do país. Ao nível de energia, as coisas ‘viraram de cabeça para baixo’”, alertou o responsável, em declarações à agência Lusa.
De acordo com o presidente do NEAA, constituído pela Associação Comercial e Industrial de Ponte de Sor (ACIPS) e pela Associação Empresarial de Elvas (AEE), reunindo cerca de 1.200 associados, a situação está a tornar-se “insuportável” para os empresários.
“Já aqui empresas a ponderar parar, devido ao custo da energia, porque é insuportável”, disse.
O presidente do NEAA considerou ainda que as medidas anunciadas pelo Governo, na segunda-feira, não são suficientes e defendeu que o Estado deveria ir “mais além” no apoio aos empresários.
“As medidas que o Governo tomou nem um comprimido ‘benuron’ chegam a ser, quanto mais algo mais ativo. O Governo devia ir mais além, apoiar mais as empresas”, defendeu.
A TAP “foi apoiada em não sei quantos mil milhões”, mas “para as empresas” o apoio “é praticamente zero”, criticou ainda.
O presidente do NEAA, que considerou que nesta altura as empresas estão “a ficar um pouco para trás” com a estratégia adotada pelo Governo, defendeu ainda mais apoio ao setor através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O Governo vai disponibilizar, a partir de quinta-feira, uma linha de crédito de 400 milhões de euros para as empresas mais dependentes da energia e dos combustíveis, disse o ministro da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, na segunda-feira.
O anúncio foi feito em Lisboa, em conferência de imprensa conjunta com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, sobre novos apoios governamentais no âmbito do conflito na Ucrânia, que fez disparar o preço das matérias-primas.
Trata-se de uma linha de crédito com garantia pública, gerida pelo Banco Português de Fomento, com dotação global de 400 milhões de euros, com um nível de cobertura de 70% do montante financiado.
Esta linha de “apoio à produção” tem um prazo até oito anos, com 12 meses de carência de capital.
A linha é destinada a empresas que operam nos setores da indústria transformadora e dos transportes, com peso igual ou superior a 20% de custos energéticos nos custos de produção ou com aumento do custo de mercadorias vendidas e consumidas superior a 20% ou com quebra de faturação operacional igual a 15% quando resulte da redução de encomendas devido à escassez ou dificuldade de obtenção de matérias-primas, componentes, ou bens intermédios.
As empresas dos setores referidos e com atividade associada à produção de bens alimentares de primeira necessidade, cuja cadeia de abastecimento seja “particularmente impactada pelo conflito na Ucrânia”, estão isentas da necessidade de preencher aqueles critérios, indicou o Governo no documento distribuído à imprensa.
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