O Serviço de Urgência (SU) do hospital de Portalegre está, “neste momento, a dar resposta” as necessidades “com os recursos previstos” para esta estrutura hospitalar, argumentou hoje a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA).
“A ULSNA reconhece que, em determinadas circunstâncias próprias desta época de inverno, há uma maior afluência e, nesse sentido, procura adaptar a resposta exigida”, disse a unidade local, nos esclarecimentos enviados à agência Lusa, por correio eletrónico.
As informações da unidade local de saúde surgem na sequência da denúncia feita hoje pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) sobre o que classificou como uma “situação grave” vivida no SU do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre.
De acordo com o SIM, em comunicado, a realidade vivida neste hospital é marcada pela “ausência de clínicos” suficientes para as “necessidades desse serviço”.
As escalas, alegou, estão “em total incumprimento com os requisitos mínimos de segurança para os doentes e para os clínicos”, o que está a provocar “um cenário de instabilidade e insegurança”.
“Além das escalas depauperadas, são exigidas tarefas de apoio às áreas dedicadas a doentes respiratórios e urgência interna”, acrescentou o SIM.
Nos esclarecimentos enviados, a ULSNA assegurou que, nesta unidade, “estão previstos os recursos necessários para a época natalícia que se aproxima” e quis tranquilizar a população.
Contactado pela Lusa, o diretor de comunicação da ULSNA, Ilídio Pinto Cardoso, insistiu que o SU do hospital de Portalegre “está hoje a funcionar em pleno” e, durante esta época de Natal, a unidade “irá ter toda a estrutura necessária à prestação de cuidados de saúde”.
A mesma fonte, escusando-se a abordar especificamente o SU, acrescentou que, “ainda recentemente”, foram contratados para o hospital ”dois ginecologistas, uma anestesista e três médicos de saúde geral e familiar”, encontrando-se “na calha” a contratação de outros clínicos.
O presidente do SIM, Jorge Roque da Cunha, em declarações à Lusa, apelou ao conselho de administração da ULSNA para que, “em vez de tentar ocultar o problema da falta de médicos, exija do Ministério da Saúde medidas” que garantam à população “o acesso a cuidados de saúde de qualidade”.
Senão, “mais cedo do que tarde irá haver um problema sério e, quando isso acontecer, já que os médicos apresentaram minutas de escusa de responsabilidade, serão a direção clínica e o conselho de administração a ser responsabilizados”, avisou.
O presidente do SIM argumentou que, “há meses, que os médicos de medicina interna tem vindo a entregar essas escusas de responsabilidade, já que um médico especialista não pode, com um interno, assegurar o SU do hospital de Portalegre”.
“Na prática, seriam precisas três escalas de médicos, uma para os doentes da área respiratória, outra para a urgência interna e outra para a urgência externa”, mas, em Portalegre, “é só um médico e um interno que asseguram tudo isso”, frisou.
No comunicado hoje divulgado, o SIM apelou ao Governo, à Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo e ao conselho de administração da ULSNA para que “não continuem a ignorar os problemas da falta de médicos” no hospital, uma situação que “nem o cada vez maior recurso a empresas prestadoras consegue disfarçar”.
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