A gravação integral de “Flores de Música”, de Manuel Rodrigues Coelho, sob a direção do organista João Vaz, vai estar disponível no próximo ano com a edição de seis discos, disse o músico à agência Lusa.
As gravações iniciaram-se esta semana na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Elvas, naquela que é primeira vez que se grava o seu órgão histórico de 1762, restaurado em 2016.
As seguintes gravações estão previstas para a Igreja da Encarnação, em Mafra, no Palácio desta vila nos arredores de Lisboa, e para a Igreja de S. Vicente de Fora, em Lisboa, disse à agência Lusa o investigador Tiago da Hora.
A série fonográfica será constituída por seis CD com os músicos João Vaz, Sérgio Silva e André Ferreira, em órgão, Miguel Jalôto e Ana Mafalda Castro, em cravo, Marco Brescia, em clavicórdio, e Maria Bayley, em harpa.
Além destes solistas nas gravações participam grupos vocais e instrumentais.
O repertório será dividido por seis volumes, num total de mais de sete horas de música antiga.
Para João Vaz, “o facto de esta ser a primeira gravação integral da obra de Manuel Rodrigues Coelho” pode vir a despertar o interesse das editoras internacionais, “estando já a ser levadas a cabo diligências nesse sentido”.
Manuel Rodrigues Coelho (1555-1635) nasceu em Elvas e recebeu, provavelmente, os seus primeiros ensinamentos musicais na Catedral da cidade alto-alentejana. Trabalhou na Catedral de Badajoz de 1573 a 1577 e mais tarde em Elvas. Em 1602 deixou Elvas para se tornar organista da corte em Lisboa, onde morreu em 1635.
Toda a obra conhecida do compositor está preservada no volume “Flores de musica pera o instrumento de tecla & harpa”, impresso em Lisboa em 1620, por Pedro Craesbeeck.
Esta obra, com mais de 500 páginas, foi dedicada a Filipe II de Portugal (Filipe III de Espanha) e “é a mais antiga partitura impressa em Portugal”, lembrou à Lusa João Vaz, que sustentou ser “esta coleção, provavelmente, uma compilação de material produzido ao longo de toda a vida do compositor”.
Na opinião do organista titular de S. Vicente de Fora, esta obra só é ”comparável à da ‘Facultad Organica’, de Correa de Arauxo (1626), ou às ‘Fiori Musicali’, de Girolamo Frescobaldi (1635)”.
 João Vaz com Sérgio Silva e André Ferreira decidiram levar a cabo uma nova edição da obra, no âmbito da ECHOM (ECHO Collection of Historical Organ Music), cujos volumes foram publicados entre 2019 e 2020, ano em que se assinalou o quarto centenário da edição original.
A única edição completa existente, preparada por Macario Santiago Kastner (1908-1992), foi publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian entre 1959 e 1961, e encontra-se “esgotada há bastante tempo”.

NL // TDI
Lusa

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