O desporto escolar funcionou como uma ‘almofada’ na saúde mental de crianças e jovens atletas durante o segundo confinamento devido à pandemia de covid-19, disse hoje à Lusa a investigadora Liliana Pitacho.

Segundo a docente universitária, os dados recolhidos ao lado de Patrícia Palma e Pedro Correia, um trio que já tinha olhado para os efeitos na saúde mental do primeiro confinamento nos desportistas portugueses, demonstram que a possibilidade de alguma atividade e contacto na escola, com os clubes fechados, teve efeitos positivos.

Hoje, assinala-se o Dia Europeu do Desporto na Escola, no âmbito da Semana Europeia do Desporto, e os dados já recolhidos pelos investigadores destacam o desporto escolar como tendo facilitado o período de confinamento enfrentado no início do ano.

“Quando comparámos os jovens que estão no desporto escolar com os que não estão – e aqui falamos sempre de atletas federados, quer em modalidades coletivas quer individuais -, o que reparámos é que os jovens do desporto escolar tinham níveis de stress e perturbações de sono significativamente inferiores aos jovens que não estavam no desporto escolar, os níveis de felicidade também eram significativamente mais elevados”, conta Liliana Pitacho, do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT).

A investigação, levada a cabo no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP), notou ainda que os inscritos no desporto escolar tinham uma percentagem menor de reporte de aumento de peso, além de reportarem “mais autoestima”.

Para tentar perceber a diferença, os investigadores notam como “o desporto escolar parou muito depois dos clubes”, e que os treinos foram reativados após a retoma das aulas presenciais, “ao contrário do que aconteceu nos clubes para as formações jovens”.

“Além disso, contando com as aulas de educação física ‘online’, os treinadores do desporto escolar tinham contacto regular [com os alunos], nem que fosse pelas aulas, o que não aconteceu nos clubes”, notou.

A nova investigação, abrangente a todo o desporto, contou com cerca de 3.000 participantes inquiridos, dentro dos quais cerca de 1.700 são jovens entre os 13 e os 17 anos.

O estudo incide de novo sobre variáveis relativas às perturbações de sono, nível de felicidade e outros parâmetros, mas também o aumento de peso e a escala de autoestima, aproveitando para expandir o estudo inicial, no primeiro confinamento.

“O que percebemos quando comparamos esta amostra com o primeiro confinamento, foi que o número de jovens que apresenta stress patológico diminuiu, assim como os que apresentam perturbações de sono. Houve também uma estabilização ao nível da felicidade. Numa primeira análise, indica-nos que os jovens foram criando estratégias, nomeadamente regulatórias de ‘coping’, que lhes serviu para enfrentar de forma mais normalizada o segundo confinamento”, explica Liliana Pitacho.

A “grande diferença” foi, então, a inscrição no desporto escolar, e, olhando para o desporto de formação no geral, salta à vista um valor na ordem dos 40% de jovens que reportam ter consciência de um aumento de peso.

“E ainda temos 20% que diz não saber se aumentou de peso ou não. É o que respondem. Quando vamos comparar, sabemos que houve uma maior quebra na autoestima nos jovens com aumento de peso. Os 20% que dizem não saber, têm uma autoestima inferior aos 40%, o que pode ser um mecanismo de proteção que os leva a responder que não sabem”, acrescenta a investigadora.

Liliana Pitacho pertence ao ISMAT, enquanto Patrícia Palma está afiliada ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e Pedro Correia à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC), e pretendem agora levar o estudo científico a publicações internacionais, bem como estabelecer contactos com o Governo para trabalhar os dados.

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