É a imagem que marca desde logo a diferença: duas siglas que se juntam num mesmo cartaz e que timbram o enlace entre duas forças políticas “de ideologias que não sendo as mesmas são muito semelhantes, o que faz com que haja um entendimento natural desde o nascimento de ambos os partidos, e desde o nascimento da democracia em Portugal”. A afirmação é de Paula Calado, o rosto que lidera a candidatura da coligação PSD/CDS à Câmara de Elvas. É ela que responde em nome de um projecto pleno de ideias que brotam de uma equipa dinâmica “constituída por pessoas muito empenhadas e com muita cabeça”. É ela quem assegura que no seio desta união o entendimento tem sido fácil, porque não há quem não comungue da certeza de que “esta não é a candidatura de uma pessoa, é a candidatura de um grupo, que é muito mais rico que uma cabeça só”.
Embora fale reiteradamente da equipa, e de alguns dos nomes que a acompanham, como André Churra e Tânia Morais Rico, Paula Calado assume a tarefa e a responsabilidade inerente à liderança e fala de motivações próprias, do seu currículo profissional e político e do empenho que coloca no propósito de se eleger presidente da Câmara. Cabeça de casal numa relação satisfatória que quer que dure pelo menos quatro anos, desvenda os aspectos mais relevantes do projecto que PSD e CDS têm para apresentar ao eleitorado elvense.

Não é a primeira vez que a professora se propõe a exame na corrida à Câmara de Elvas. Nas eleições autárquicas de 2017 Paula Calado secundou Luis Caldeira Fernandes na lista apresentada pelo PSD. O convite que lhe foi feito pelo então cabeça de lista social democrata surgiu na sequência “de um texto que publiquei na internet. Nem sequer questionei em que lugar iria, mas a verdade é que acabei por ser bastante influente na candidatura, e isso fez-me ganhar experiência”, recorda a candidata, à altura estreante na política. Passados dois anos, em 2019, foi cabeça de lista pelo Distrito de Portalegre às eleições europeias. Seguiu-se a campanha para as legislativas, onde concorreu em segundo lugar. O desempenho foi-lhe dando visibilidade no interior do partido, ao ponto de ter sido “a primeira candidata às eleições autárquicas a ser anunciada a nível nacional, em Fevereiro de 2020, no congresso do PSD em Viana do Castelo”. Paula Calado não tem dúvidas de que o trabalho que foi desenvolvendo a colocou na rota do objectivo que os social democratas têm “de revitalizar o partido aqui no Alto Alentejo, onde neste momento temos apenas 4 Câmaras. Já tivemos seis ou sete. Elvas, por exemplo, já teve dois presidentes do PSD. É evidente que a semente cá está e não se pode deixar secar, porque há aqui muita gente que nos entende e que se sente representada por nós”. Paula Calado junta aos objectivos do partido a sua própria intensão e afirma, sem reservas, que se sente “praticamente obrigada” a candidatar-se também “por motivações pessoais, e bastante positivas”. Especifica que a política “funciona da seguinte forma: nós sabemos o que ela é. Na nossa vida toda assistimos aos protagonistas políticos da nossa cidade, do nosso concelho, do nosso país. Observamos, temos sentido crítico e de repente pode acontecer isto: sentir o impulso para participar também. Isto sucede quando pensamos que o que está a acontecer não é exactamente aquilo que devia acontecer, e que podemos dar um contributo para melhorar as coisas”. Sublinha que se sente “obrigada perante a comunidade, porque a sociedade é plural. É constituída por muitos grupos. Nós podemos agrupar as pessoas de mil e uma maneiras. Esses grupos , esses interesses, essas sensibilidades devem estar representados. Nós estamos num concelho em que o governo é PS há 30 anos. Tenho a certeza absoluta que é impossível que todos lá estejamos representados. Por isso a minha candidatura também é em prol de uma pluralidade que melhor represente todas as pessoas de Elvas”. Determinada em fazer-se eleger, para pôr em prática um plano que desenhou, em parceria com a equipa que a segue, Paula Calado sorri enquanto desconstrói parte do romantismo associado ao propósito, que se cruza com a intenção de não se dedicar perpetuamente à política: “o que se consegue com esta actividade muito intensa, é ter muito desgaste, devo confessar, porque vivemos momentos de muito trabalho que acumulam com o nosso próprio trabalho. Eu não sou uma política de carreira e nunca serei. Tudo isto é muito trabalhoso, mas é estupendo, porque conhecemos muita gente e somos obrigados a pensar sobre os assuntos com muita intensidade e a procurar soluções”. Ressalva que “profissionalmente sou professora, e gosto muito de ser”, para estabelecer uma analogia entre um episódio da vida profissional e a actual candidatura à Câmara de Elvas, que ajuda a elucidar e reforçar a motivação subjacente à aspiração ao cargo. “Tive uma situação em que criei uma equipa que desafiou o grupo que na altura estava no poder no agrupamento onde eu estava. As eleições aconteceram, e a minha equipa ganhou. A nossa motivação foi exactamente a mesma que trago agora para ser presidente da Câmara de Elvas, que é ter constatado que as coisas não estavam bem, e podiam estar melhor. Ninguém avança? Avanço eu.”

Uma campanha com a proximidade que as circunstâncias permitem

Com a pandemia vista por uma lente que convoca a prudência a espantar o risco, não resta aos políticos grande escolha para além da capacidade de reinventar e inovar. Paula Calado não deixa de lamentar “não poder fazer a campanha que eu, que nós tínhamos pensado, porque tudo está a ser delineado há muito tempo. Tinha pensado desenvolver uma acção de maior proximidade, mas não posso estar a promover ajuntamentos e contactos físicos, porque esta situação pandémica, a nível sanitário e até a nível da própria economia, tem sido uma tragédia. É uma falta de respeito nós ignorarmos as limitações que as pessoas têm e não impormos a nós próprios essas limitações”. Assim sendo, e sublinhando que apesar de a lei permitir a actividade política, a candidata da coligação PSD/CDS dispõe-se a inovar, para fazer chegar a mensagem ao eleitorado. “Tem que funcionar, a todo o vapor, a comunicação nas redes sociais. Outdoors, cartazes, mupis. O típico também tem que ser reforçado. Vamos ter que estar em mais sítios, para nos tornarmos mais visíveis. E também vamos ter que usar o correio para fazer chegar algum material aos eleitores. É esta a nossa ideia. Este ano toda a gente vai ter que inovar um pouco. Quem não o fizer, está muito longe da realidade”.

A análise crítica aos últimos 30 anos de gestão autárquica

Avaliar competências e desempenhos é tarefa a que a professora Paula Calado está habituada. Quando é desafiada a fazer a avaliação dos últimos anos de gestão autárquica em Elvas, com base numa opção de escolha múltipla que lhe permite optar entre andar para trás 10 ou 30 anos, decide-se pela hipótese de longa duração, que lhe permite reprovar, em vários parâmetros, os dois presidentes de Câmara em funções ao longo das últimas três décadas. Começa por sublinhar que ao longo deste tempo “tivemos sempre o mesmo partido no poder, o que faz com que num concelho pequeno/médio como o nosso vamos ter sempre o mesmo grupo de pessoas a governar, o que significa que há menos pluralidade, menos ideias e inovação. E depois há o cansaço que advém de serem sempre os mesmos a fazerem as coisas. Entra-se numa rotina e às vezes está-se tanto tempo lá dentro, que se perde a visão de fora”.
Recorda a chegada do Partido Socialista à Câmara “em 1993 com o comendador Rondão Almeida” a quem reconhece “algum mérito, que acompanhou a sorte de terem sido desbloqueados os fundos europeus que permitiram que o concelho, a nível de infraestruturas evoluísse bastante. Essa foi a grande marca de Rondão Almeida. As infraestruturas do concelho, que eu considero úteis”. Destaca que “o comendador foi assertivo em algumas opções”, nomeadamente dotar as freguesias com infraestruturas importantes. “Se calhar não há muitas freguesias no país que tenham uma piscina, um campo de jogos, etc. Não acho que isso é demais. Penso que devia haver uma piscina em todas as freguesias e todas as infraestruturas, porque isso também prende as pessoas à terra e dá-lhes qualidade de vida. Nós não andamos aqui para mais nada, a não ser para isso. Para melhorar a vida das pessoas”. A nota negativa que Paula Calado dá vai para “a sustentabilidade dessas infraestruturas, porque há que as manter, e eu não concordo que todo esse património está a ser bem gerido”. Salienta que Elvas é um concelho que “não gera riqueza” e que carece de ser gerido “sustentavelmente”. Dá o exemplo do Coliseu que considera “uma obra fenomenal” com potencial para atrair eventos para Elvas “a toda a hora, pela capacidade e pelas condições que tem”. Desafia a que seja feito um levantamento dos espectáculos realizados naquele espaço multiusos “claramente sub aproveitado” que está a ser administrado de forma “caseira e amadora”, o que se tem revelado num exemplo de “péssima gestão”. Critica a “falta de visão que tem havido para perceber que não pode ser a Câmara a gerir um espaço daqueles. O correcto seria celebrar um protocolo com uma empresa privada, que se encarregaria de tornar a estrutura rentável, ao mesmo tempo que trataria de fazer algo importantíssimo que também escapa à vocação camarária, e que custa muito dinheiro, que é a promoção, porque essa empresa estaria directamente interessada no sucesso do evento. O que é que nós ganhamos com isso? Uma afluência inusitada de gente a Elvas”.
Paula Calado insiste que ao longo dos últimos 30 anos faltou “um plano de fundo e uma visão de longo prazo, porque três décadas é a longuíssimo prazo, para perceber que a cidade precisa, acima de tudo de emprego, de postos de trabalho que vão melhorar a vida de quem já cá está, prender aqueles que eventualmente têm que se ir embora, e atrair gente que não é de cá e que se pode aqui estabelecer”. Outra nota negativa vai para a forma como o município tem olhado para o património. “Existe um elevado número de casas espalhadas pela cidade que são património da Câmara Municipal, dos elvenses, e que não têm sido mantidas em condições. Não houve um investimento nesta área nos últimos dois mandatos. Essas casas podiam, por exemplo, ser arranjadas e ser direccionadas para a habitação de quem, em tempos de pandemia, estando em teletrabalho se pode transferir para Elvas, para uma espécie de residência temporária. Vir três, seis meses… Ficariam a conhecer a nossa zona muito melhor e acredito que com o nosso potencial, alguns até poderiam ser conquistados para se fixar”.

A vontade de rescindir contrato com a Aquaelvas no topo das preocupações

Convidada a apresentar o projecto de campanha que elaborou e que vai submeter aos munícipes, Paula Calado afirma que trás muitas coisas na bagagem, entre elas “justiça”. Especifica que “há algo em Elvas que considero de uma enorme injustiça e que devemos tentar corrigir. E a única pessoa que o pode fazer sou eu. Essa é a verdade. A questão da Aquaelvas para mim é fundamental, e é um tema que envolve o actual e o anterior presidente”. Critica severamente que a gestão municipalizada “de um bem essencial de que as pessoas necessitam para sobreviver, tenha sido colocado nas mãos de uma empresa privada” e dá como certo que, chegada à Câmara, tomará as medidas necessárias com vista a pôr, possivelmente, termo ao contrato com a empresa que gere a água em Elvas. “Já me têm dito que que isto é um contrassenso, porque eu sou uma social democrata, e a social democracia assenta em dois pilares: o desenvolvimento económico, que implica necessariamente o apoio à iniciativa privada, e as questões sociais, a justiça social. Isto pode parecer incompatível para alguns, mas não é”. Com estes preceitos ajustados ao caso concreto, afirma que na questão específica da Aquaelvas houve “um contrato mal feito logo de origem. Muito vago, em que as obrigações da concessionária não ficaram plenamente estabelecidas, não foram delineados prazos, lugares específicos de intervenção, e outras coisas mais”. Reforça o erro que atribui à Câmara de Elvas no que diz respeito “ à fiscalização do cumprimento do contrato. Essa fiscalização, a meu ver, não foi feita. O município não tem defendido os interesses dos elvenses”. Promover uma “auditoria, que será feita ao contrato e a todo o seu cumprimento, ou não, ao longo da duração que ele tem, até ao dia de hoje, ”é tarefa prioritária que a candidata da coligação pretende chamar para o topo da agenda se for eleita. “Não vou mentir, a minha vontade é rescindir o contrato. Só que eu também sei que esta é uma questão milionária. Estão envolvidos milhões. Serão feitos cálculos exactos daquilo que seria necessário para rescindir o contrato com a Aquaelvas e depois desses cálculos eu colocaria a questão nas mãos do elvenses”. Paula Calado propõe-se fazer “uma consulta pública, ou um referendo”, porque o custo envolvido “implica que esse dinheiro não seja gasto noutras coisas”, mas sublinha que “esta questão é crucial. Estamos nesta situação por um acto de péssima gestão autárquica. E isso é responsabilidade do Comendador Rondão Almeida e do presidente Nuno Mocinha”.

As principais alíneas do projecto eleitoral

Colado à gestão da água, a questão do emprego, “a criação de postos de trabalho e a revitalização do tecido social” estão na primeira linha das preocupações da coligação PSD/CDS. “Temos que agir por exemplo na indústria. Já ouvi os meus adversários dizer, e disseram os dois, que Elvas não tem uma tradição industrial, e eu fiquei pasmada. Tem sim senhor. Foi desaparecendo com o tempo. A agroindústria, por exemplo. Foi a mais preponderante. Quem não se lembra da Imprimetripa, entre outras mais? A memória vai-se esbatendo mas nós, se andamos nisto, temos obrigação de ter noção do passado, do presente e do futuro. Agora eu pergunto: mesmo que não tivéssemos tido, significa que isso nos está vedado? Não pode estar. Paula Calado socorre-se das estatísticas para apontar mais uma vez o dedo a Rondão Almeida e a Nuno Mocinha. “Provavelmente nem o comendador Rondão, nem o presidente Mocinha têm interesse em falar nisto, porque não lhes convém, mas no decurso de 30 anos, em 308 concelhos, Elvas ocupa o nono lugar na taxa de desemprego mais alta. A indústria tem que ser impulsionada”. A candidata fala na necessidade urgente de criar condições para que empresas “de várias dimensões” se instalem em Elvas. “Acima de tudo, nós temos que procurar investidores”.
Paula Calado lança nova crítica à forma como Elvas se posicionou em relação à plataforma logística. “É uma coisa grandiosa para a região. Infelizmente não houve vontade nem esforço da parte do actual presidente da Câmara para puxar para cá a plataforma. E já não virá porque a dimensão do projecto em Badajoz é enorme e já está em funcionamento. Mas agora não podemos ficar a chorar sobre o leite derramado e temos que aproveitar. Socorre-se do exemplo de Campo Maior, como modelo de gestão e actuação. “É um município com oito mil habitantes. Tem pouco mais de um terço de Elvas. Só que tem tido muito mais visão nos últimos anos. Nós temos que olhar à nossa volta e também temos que aprender com os outros”. Reforça que a indústria vai ter que ser desenvolvida “dessa ou de outras formas. Nós temos que correr atrás de investidores, se for preciso”.
O comércio é outra área que preocupa a candidata à Câmara, que fala de um sector que já foi “florescente em Elvas e que está completamente esquecido. O comércio precisa de uma revitalização de cima a baixo e precisa acima de tudo de se modernizar”. Mostra-se preocupada com a faixa etária dos comerciantes “que compreensivelmente é alta, pelo que necessitam ser auxiliados”. Esboça um plano onde fica claro que não é a Câmara que vai abrir comércios, “mas que deve reforçar o seu papel de promotor da abertura de espaços comerciais”. O que pode ser feito de concreto? “Trabalhar em parceria com a Associação empresarial, que tem vindo a desenvolver uma excelente actividade, que reflete o empenho dos próprios empresários, comerciantes e não só, para melhorar a sua própria condição”.
O turismo é outro segmento que motiva a adopção de uma estratégia. “Nunca podemos desistir dele. De forma lógica, óbvia e racional, a cidade vai estar sempre vocacionada para o turismo. Mas não é só a cidade, é o concelho”. Paula Calado reconhece o esforço que os executivos camarários têm feito nesta área. “Nós seríamos uns tolos se contrariássemos esta tendência de crescimento. Eu viajo muito, conheço muitos sítios, e não conheço nada parecido, e não tenho dúvidas de que o turismo é um caminho gerador de muitos postos de trabalho”. A aposta no marketing é um dos caminhos que aponta: nós sem imagem e sem um conceito não somos nada nem ninguém, e isso é muito importante para dar seguimento a um percurso que acabou de começar”. Aponta o marco da classificação da UNESCO a partir do qual “foram dados alguns passos para atrair grandes investidores, como foi o caso do grupo Vila Galé”. Sinaliza o trabalho que há a realizar: “continuar sempre e incansavelmente a classificar, a proteger e a promover património. Incentivar a iniciativa privada a implementar uma série de negócios complementares à indústria do turismo. E em Elvas faltam muitas coisas. Não há bicicletas eléctricas, que já existem em todo o lado, por exemplo. Tem também que haver uma perspectiva de concelho. Nós temos várias vilas e aldeias. Não há duas iguais. Essas freguesias têm que fazer parte dos roteiros. Falemos em roteiros. O que existe? Temos património romano que nem está classificado, nem faz parte de um roteiro. As antas. Quem é que conhece? Não temos roteiros estabelecidos nem empresas que explorem esses percursos. Há todo um mundo por explorar e só assim é que vamos conseguir atrair gente, gerar emprego em número suficiente. É a única maneira, porque nos últimos 30 anos o que se fez foi apenas obra. Eu até digo mais. Se eu fosse presidente da Câmara era capaz de passar quatro anos sem fazer uma única construção, mas iria cuidar muito bem daquelas que existem. O que falta em Elvas é visão, saber utilizar o que existe e criar sinergias e inter acções.”
A candidata olha com preocupação para o centro histórico e aponta erros em várias opções que foram tomadas e que contribuíram para o esvaziamento da zona mais nobre da cidade. Dá o exemplo da edificação da residência universitária nas instalações no antigo Café Alentejo. “Qualquer pessoa em Elvas sabe que o Café Alentejo era o coração da cidade. Se observarmos à nossa volta, todas as cidades e vilas da nossa dimensão mantém este coração. Um sítio de referência onde as pessoas convivem e que dá vida à cidade. Foi um erro. E é apenas um exemplo de uma espiral descendente enorme. Às vezes o município tem que comprar certos imóveis para os conservar”. Reitera a importância e a atenção que devem ser dadas ao centro histórico “que é uma mina de ouro, que deve ser convertido num local apelativo, de forma a que fique na memória das pessoas, a nível turístico. Quando as pessoas viajam gostam de ver cidades animadas e com movimento, portanto o centro histórico é uma grande preocupação que a minha candidatura tem”. Sem entrar em detalhes assegura que tem um projecto de grandes dimensões para a revitalização do núcleo da cidade.

De olhos postos na eleição

Quais são as expectativas reais que Paula Calado tem em relação ao acto eleitoral de 26 de Setembro? Em nome próprio e de toda a equipa que a acompanha a candidata afirma que “quer do lado do PSD, quer do CDS e de membros independentes, nós estamos a concorrer para ganhar a Câmara. Sabemos que é muito difícil, mas também sabemos que as coisas às vezes dão uma volta. E sabemos que chegou o momento de elas darem essa a volta. E não tenho qualquer receio de pedir às pessoas uma maioria”. Ciente de que o objectivo pode não ser alcançado, afirma que tem “zero planos para esse dia”. Sabe que se ganhar será presidente. Não ganhando, encara os dois cenários possíveis: ser eleita ou não ser eleita para o executivo. Num cenário de vir a ter lugar num elenco camarário vê com muita dificuldade a hipótese de “entendimento com outras forças políticas. E falo especificamente do PS e do movimento da Espiga porque em comum só temos o querer, eventualmente (eu sei que quero de certeza), o bem do concelho. Mas as opções que eles têm tomado, e não se podem desvincular delas, não permitem que me possa entender quer com um quer com outro. Não me custa absolutamente nada, mas nada mesmo, manter-me quatro anos numa posição que serve a Elvas, que seria ter alguém naquela estrutura, naquela autarquia, naquele executivo que não fizesse parte do mesmo de sempre”, pelo que ficar na oposição é a hipótese que “encaro com bastante probabilidade”.
Posto isto, se Paula Calado não concorresse à Câmara de Elvas, a posição de simples cidadã chamada a eleger o executivo para os próximos quatro anos, não iria redefinir a sua orientação de voto. À questão: no caso de não ser candidata, e considerando este painel de concorrentes, em qual deles conseguiria votar? a resposta é: “se não fosse candidata estaria na estrutura do PSD e faria os possíveis para apoiar o candidato que fosse nosso. É muito difícil essa questão. Eu nunca votaria no candidato do PS, porque já teve dois mandatos para dar provas e não deu. Eu não votaria no candidato do Movimento da Espiga porque teve o seu tempo, e o tempo já passou. Não votaria no candidato do CHEGA porque não o conheço e representa uma ideologia com a qual não me identifico minimamente. Na CDU, por razões óbvias e ideológicas, jamais votaria, fosse quem fosse o candidato”.
Do plano hipotético para o cenário real, vem aí o tempo do diálogo directo e da eloquência. Paula Calado dispõe-se a caminhar com passo firme para defrontar a armada. Vencível ou invencível? Será o eleitorado a decidir.

Entrevista conduzida por Arlete Calais

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