A Polícia Judiciária (PJ) de Vila Real identificou, até ao momento, cerca de 20 vítimas do esquema de negócio fraudulento de carros de gama alta através da internet, cuja investigação culminou com a detenção de 10 suspeitos.
“Trata-se de um grupo de pessoas que, de forma relativamente organizada, com distribuição de tarefas concretas, de forma reiterada no tempo e com alguma estabilidade organizativa, se vinham dedicando à prática destes crimes”, afirmou António Trogano, coordenador do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real.
A PJ desencadeou a operação “Gama Alta” que culminou na detenção de 10 pessoas, nove homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 20 e os 71 anos, suspeitos da autoria dos crimes de associação criminosa, burla qualificada, falsificação de documentos e detenção de arma proibida.
A acção policial decorreu na terça-feira, dia 25, nas zonas do Porto, Setúbal e Elvas, e incluiu a realização de 24 buscas domiciliárias e não domiciliárias.
“A investigação em curso tem por objecto a aquisição e pagamento fraudulento e fictício de diversos veículos automóveis, de gama alta, avaliados em algumas centenas de milhares de euros por parte dos arguidos e cujas vendas eram publicitadas em vários ‘sites’ da internet pelos respectivos proprietários”, afirmou António Trogano.
Os alvos deste esquema eram, por exemplo, automóveis da marca Porsche, Ferrari, Mercedes, Audi e Nissan.
O responsável referiu que, até ao momento, foram identificadas cerca de 20 vítimas deste esquema fraudulento, mas, adiantou, a investigação não está fechada e pode “haver mais lesados” e pode “conduzir, inclusive, a mais detenções”.
O responsável explicou que os proprietários dos veículos seriam aliciados para o negócio porque alegadamente colocavam à venda os carros por um preço alto que era, de imediato, aceite pelos arguidos, os quais depois os vendiam “por um terço do seu valor” a terceiros, “alguns com alguma postura duvidosa do ponto de vista da boa-fé”.
No decorrer da investigação, a PJ apurou que os “arguidos, após se apossarem dos veículos, efectuaram sempre os respectivos pagamentos por meio de transferências bancárias simuladas ou fictícias, cuja verificação, em tempo útil, não era viável pelos proprietários junto das respectivas instituições bancárias, o que permitia àqueles efectuar a alteração do registo de propriedade dos veículos de forma célere, para depois os descaminharem para fora do território português, através de intermediários ligados ao ramo automóvel”.
“A quase totalidade dos veículos foi colocada no mercado espanhol, onde os suspeitos possuem ligações familiares, ou intermediários no ‘negócio’”, salientou o coordenador da PJ de Vila Real.
O responsável referiu ainda que “todos os veículos foram recuperados e apreendidos pelas autoridades espanholas e portuguesas e, subsequentemente, entregues aos seus legítimos proprietários”.
António Trogano aproveitou para alertar para as vendas online e referiu que a “internet promove uma facilidade de negócio de qualquer tipo de objecto, nomeadamente os veículos automóveis”.
A investigação teve início após queixas de vítimas, em Lamego, pelo que o inquérito foi dirigido pelo Ministério Público – Departamentos de Investigação e Acção Penal (DIAP) daquele Município.
Para a concretização da operação “Gama Alta”, o Departamento de Investigação Criminal de Vila Real contou com a colaboração das Directorias do Norte e Centro, bem como da Unidade Local de Évora.
A PJ contou ainda com a colaboração da Guarda Nacional Republicana, através dos Comandos Territoriais do Porto, Coimbra e Setúbal, bem como da Polícia de Segurança Pública, através dos Comandos do Porto e de Setúbal.

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