O Secretariado da Comissão Coordenadora Distrital de Portalegre do Bloco de Esquerda emitiu um comunicado onde “saúda e festeja a passagem de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974”.
Leia, na íntegra, a mensagem deixada pela estrutura distrital do BE:
“O Secretariado da Comissão Coordenadora Distrital de Portalegre do Bloco de Esquerda, saúda e festeja a passagem de mais um aniversário do 25 de Abril de 1974, saúda os militares que nessa madrugada tiveram a coragem de enfrentar o regime fascista e libertar o país de uma longa ditadura de quase 50 anos, que mantinha amordaçado o povo, obrigando-o a uma vida de miséria, à emigração e à guerra aos povos das ex-colónias. O país era um dos mais atrasados da Europa, a taxa de mortalidade infantil das mais elevadas, um povo pobre, analfabeto e isolado do mundo, vivendo em condições precárias, amontoando-se em barracas de miséria nas periferias das grandes cidades, depois da fuga dos campos. A repressão era uma realidade quotidiana sobre toda a sociedade. Milhares atravessaram as fronteiras para fugir à guerra, à miséria ou à repressão, indo viver muitas das vezes em condições sub-humanas, fazendo os trabalhos mais difíceis e mais mal pagos nos países que os acolheram.
O 25 de Abril foi uma brisa de ar fresco que em breve trecho se transformou em rio, corrente que transformou o país e a vida da imensa maioria: – Paz, Pão, Saúde, Educação, Habitação foram os lemas. Levados à pratica e nasceram por todo o lado movimentos que acabaram com a iliteracia, a eletricidade chegou aos sítios mais remotos, na saúde nasceu o SNS, que em poucos anos conseguiu, entre muitas outras, que a mortalidade infantil passasse das mais altas da Europa para das mais baixas. Na habitação o movimento social formigou por todo o lado e casas dignas substituíram as barracas. Das ruínas do império colonial paraíso de uma casta nasceram nações independentes. As condições de vida dos trabalhadores conheceram melhorias significativas, fruto da sua organização e luta. A liberdade tinha saído à rua e andava de mãos dadas com o povo e a vida associativa, recreativa, desportiva, cultural foi alimento e força de um povo sedento de participar no seu presente.
Passados 47 anos, a situação degradou-se e teve uma mudança brutal: dados da Comissão Europeia (EU) indicam que em 2018 havia em Portugal dois milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza, desses, um milhão eram trabalhadores que viviam do salário mínimo. A corrupção tem tirado ao longo dos anos muitos milhões de milhões da economia, a EU estima que são 18,2 mil milhões por ano, sem que nada aconteça aos corruptos. Na habitação vive-se uma situação dramática, o fim das moratórias no pagamento das prestações mensais vai ser um tsunami. A pandemia veio agravar tudo. O governo preferiu ter um excesso orçamental de mais de 4 mil milhões de euros no ano de 2020 do que aplicar esse dinheiro no reforço do SNS e no apoio social.
É preciso mudar este estado de coisas, é preciso uma verdadeira regionalização e descentralização, que traga desenvolvimento e empregos ao interior, que incentive a agricultura, nomeadamente a familiar, que ponha fim à exploração intensiva dos solos, nomeadamente do olival, reforçando o movimento associativo. É preciso criar uma economia, nas cidades, diversificada e não totalmente dependente do fluxo turístico. A descentralização tem que ser para dar poder de decisão às populações e não para criar CCDRs e depois ser um pequeno grupo a eleger os Presidentes. É preciso que o orçamento geral do estado esteja ao serviço da economia e das questões e apoios sociais.
A urgência climática obriga a mudar de vida, o planeta terra está doente: a contaminação atmosférica com gazes de efeito de estufa e consequentes alterações climáticas, a contaminação aquática pelos efluentes e resíduos, a ocorrência de catástrofes geradas pelos incêndios e a contaminação dos solos e das massas de águas pelas incorretas práticas agrícolas. Este modelo de produção está gasto, só produz desigualdades, crises, miséria defendemos um modelo diferente, que tenha no centro a defesa das pessoas e do meio ambiente, defendemos o ECOSSOCIALISMO”.
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