A acordeonista Celina da Piedade foi buscar ao “Cancioneiro Alentejano” a inspiração para o seu quarto e novo álbum em nome próprio, a publicar na sexta-feira, que define como resultado do período de confinamento.
“Celina da Piedade ao vivo na Casinha” tem assim origem nos reveses da pandemia. Em declarações à agência Lusa, Celina da Piedade, que já fez parte de grupos como Tais Quais e Chocalhos, disse que não tem vocação para vítima. Por isso, perante a falta da interação com o público, não parou e, logo nas primeiras semanas da situação de confinamento, realizou concertos ‘online’.
Em agosto passado, aceitou o convite do músico Tim, para apresentar atuar na sua ‘black box’, que resultou da adaptação da garagem do baixista dos Xutos & Pontapés a estúdio.
Esta garagem, diz Celina da Piedade, “era já a casa dos Tais Quais”, banda com a qual a instrumentista tem colaborado, que cita neste seu novo álbum, e que também é formada por Vitorino, Tim, Sebastião Santos, Serafim, Jorge Palma, Paulo Ribeiro e João Gil.
O álbum “Celina da Piedade ao vivo na Casinha” é assim o quarto álbum da artista, em nome próprio, e resulta da gravação do concerto realizado, no ano passado, no “Live a Casinha”, em ‘streaming’, a partir do estúdio de Tim, “numa altura de grande incerteza e crise no setor da Cultura, devido à pandemia” da covid-19.
Uma das canções incluída no disco, “Rebola a Bola”, foi um pedido de um dos assistentes do concerto, contou à Lusa Celina da Piedade, que aproveitou esta oportunidade para gravar canções que já apresentara ao vivo, mas que não tinha tido oportunidade de registar.
De acordo com Celina da Piedade, “nota-se um maior interesse do público por este património imaterial”, referindo-se ao seu novo disco como “um álbum alegre e bem-disposto”.
Sendo maioritariamente composto por temas do “Cancioneiro Alentejano”, o álbum inclui, porém, uma canção vinda de Trás-os-Montes, “Saia da Carolina”.
Editado pela Sons Vadios, o álbum fica disponível ‘online’, a partir de sexta-feira, e tem, na edição física, uma faixa extra, “Além Daquela Janela”.
O alinhamento inclui ainda os temas “Andorinha”, “Ceifeira”, “Laranja da China”, “Limoeiro”, “Saias da Moda”, “Valsa Almofariz” – o único instrumental -, “Coradinha”, que foi ponto de partida para o projeto “#Coradinha”, “Calimero e a Pêra Verde” e “As Cobrinhas d’Água/Tricot”, um tema “muito irónico, como quase todos os do cancioneiro alentejano”.
Celina da Piedade vai apresentar o álbum ao vivo, na sexta-feira, num concerto sem público, no Cine-Teatro Marques Duque, em Mértola, no distrito de Beja.
Este será um concerto comentado, acrescentou Celina da Piedade à Lusa, realçando a participação dos músicos que contribuíram para “esta identidade” musical, “tradicional, mas renovada”.
Além de Celina da Piedade (voz e acordeão), o disco conta com a participação de Filipa Ribeiro (voz, glockenspiel e percussões), Nilson Dourado (guitarra), Sebastião Santos (bateria), Sofia Neide (contrabaixo) e, como “convidada especial”, Ana Santos (violino e viola d’arco).
Celina da Piedade, paralelamente, desenvolve uma carreira de investigadora no Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança, da Universidade Nova de Lisboa.
Colabora com a associação PedeXumbo, trabalha com o músico Rodrigo Leão, foi uma das fundadoras do grupo Uxu Kalhus, como qual tocou entre 2000 e 2010.
Fez parte do grupo Homens da Luta, com os quais venceu o Festival RTP da Canção em 2011.
Colaborou, entre outros, com Mayra Andrade, Né Ladeiras, Uxia, Ludovico Einaudi, Kepa Junkera, Amor Electro, Gaiteiros de Lisboa, António Chainho, Samuel Úria, Viviane e os Gaiteiros de Lisboa.
Celina da Piedade é coautora, com Domingos Morais, do livro “Cadernos de Dança do Alentejo”.
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