À nossa, que nascemos sem maçã de Adão!

À nossa que nascemos com um útero, órgão que garante a sobrevivência da humanidade, espaço verdadeiramente equitativo, onde germina o ser humano em plena igualdade de direitos e de oportunidades de singrar no processo da criação humana, independentemente de ser portador de um pénis ou de uma vulva. 

À nossa que vivemos numa modernidade que apesar de ser mais simpática para com as mulheres e que tem permitido que o ser feminino se torne cada vez mais visível e ganhe destaque quando merece que assim seja, continua a ser parcial.

À nossa cuja batalha que temos travado é simplesmente a da naturalidade.

À nossa que fomos conquistando o direito de viver saudavelmente a sexualidade, derrubando moralismos, e usufruindo por direito próprio da fisiologia que a natureza nos outorga. Ainda assim não há que escapar ao genérico, ao que ainda se manifesta em maior número, e que é a generalidade das mulheres ainda esperar o homem na cama. E o que deverá uma mulher esperar do homem na cama? Que a respeite e valorize!

O Dia 8 de Março não é um dia fútil. Sintetiza lutas legítimas pela ocupação de um espaço de igualdade comum, na plena partilha de oportunidades sem benefícios e favorecimentos. Ao celebrar o dia da Mulher é incontornável  falar em feminismo. Um movimento social e político de mulheres e para mulheres que desde o século XIX tem vindo a ganhar espaço em todo o mundo, promovendo mudanças políticas e sociais não só em benefício das mulheres, mas mais ainda da sociedade. As bandeiras iniciais desta luta foram o acesso à educação, o direito de voto e o acesso a cargos políticos, a autonomia legal com direito de propriedade, direitos laborais e direito ao divórcio.

E muito terreno continua por desbravar. Persistem os desequilíbrios no acesso aos lugares dechefia, à equidade salarial, entre outras injustiças e atrocidades que se continuam a cometer, como a existência de práticas cerceadoras da liberdade da mulher dispor do próprio corpo. Nos dias que correm ainda há 200 milhões de mulheres e raparigas que sofreram de mutilação genital. Consequências? Até a perda da própria vida. A mutilação genital feminina refere-se a procedimentos que visam a remoção total ou parcial dos órgãos genitais externos femininos sem justificação médica. Por norma é feita com uma lâmina, sem o uso de anestesia. Embora esteja reconhecida como um violação dos direitos humanos, estima-se que até 2030 cerca de 70 milhões de raparigas venham a ser submetidas a esta atrocidade. Onde se pratica? África, Médio Oriente, mas também em alguns países asiáticos e na América Latina. Claro que com a mobilidade global, as tradições vêm por arrasto, e até na Europa se estima que vivam cerca de 600 mil mulheres vítimas desta pática.

Mas há outras práticas lesadoras da liberdade das mulheres que se verificam mundo fora, como a acesso a profissões específicas: na Rússia, de uma vasta lista de profissões interditas às mulheres ganhou destaque a proibição de conduzir comboios. O tema saltou para a ribalta quando uma mulher se insurgiu contra a proibição e avançou com um processo em tribunal, porque queria ser motorista do metro de São Petersburgo. Perdeu porque o colectivo entendeu que o argumento apresentado pelo Estado de querer “proteger” as suas mulheres era válido. Mas há mais, e em sítios impensáveis. Em França as mulheres estão proibidas de exercer trabalhos que impliquem carregar pesos acima de 25 quilos e de 45 quilos se for com um carrinho de mão. Na argentina uma lei ridícula proíbe as mulheres de trabalhar com destilação do álcool. Em Países como Paquistão, Butão, Congo e Suriname mulheres casadas não poder registar negócios.

Assinalando a data de hoje António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas escreveu: “Em geral, quando as mulheres lideram governos, assistimos a maiores investimentos na protecção social. Quando as mulheres estão no parlamento, os países adoptam políticas mais eficazes de combate a alterações climáticas. Quando negoceiam a paz os acordos são mais duradouros.”

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