Seis das oito monjas que vão viver na Cartuxa de Évora, previsivelmente a partir de Setembro, após obras no mosteiro, foram ontem visitar a sua nova “casa”, mas já a “conheciam” através de fotos que pesquisaram na Internet.
“Nós somos monjas do nosso tempo. Temos Internet, então, já vimos todas as fotos que há da Cartuxa, mas é outra coisa estar aqui”, destacou aos jornalistas Maria Iuxta Crucem, prioresa (superiora) da comunidade de religiosas que vai habitar o Convento da Cartuxa.
Nesta visita inaugural ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (Escada do Céu), desocupado desde a mudança dos últimos quatro monges cartuxos para Espanha, as irmãs Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará foram conduzidas por jardins, corredores, uma das celas e até o cemitério.
A prioresa disse estar impressionada com os edifícios majestosos e “com estes ciprestes”, altos e localizados nos jardins, em que cada um parece que “leva até Deus”.
“E tenho que dizer a verdade que, para mim, a parte da visita mais importante foi a do cemitério, que é muito simples. Há cruzes sem nome, mas ali estão os monges que sofreram, trabalharam, rezaram e, pela sua entrega durante a vida, nós podemos estar agora aqui”, justificou.
As religiosas, que chegaram a Évora na sexta-feira e que têm várias nacionalidades – a prioresa é holandesa, mas há também irmãs do Peru, Brasil, Argentina e Guiana Britânica -, vão constituir uma comunidade monástica contemplativa na Cartuxa.
Enquanto decorrerem obras no mosteiro, situado na periferia da cidade e propriedade da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), as monjas estão a morar numa casa no centro de Évora, contígua à Igreja de São Francisco, revelou a arquidiocese.
O arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, considerou que o facto de as religiosas visitarem a sua “casa” tem “esta componente afetiva, de saberem que são desejadas, são acolhidas”, e, ao mesmo tempo, permite-lhes “conhecerem o espaço”.
Esta congregação, fundada em 1988, tem casas e comunidades um pouco por todo o mundo, como a Sibéria ou o Iraque, lembrou, acrescentando que as duas religiosas que faltam ficaram retidas em Itália por “motivos burocráticos” e que “uma chegará em setembro e a outra brevemente”, devendo as obras de adaptação no mosteiro permitir a sua mudança “em setembro” ou “outubro”.
Com a saída dos últimos monges cartuxos, o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli não podia ficar desocupado, argumentou Francisco Senra Coelho, admitindo que a diocese ainda procurou monges do ramo masculino, mas “a Europa vive as dificuldades vocacionais conhecidas por todos”, e que, por fim, a opção foi “por uma congregação feminina”.
“E esta estava disponível, tinha elementos que podiam formar uma comunidade e, por isso, vamos fazer um acordo com elas, talvez por quatro anos, renovável, para fazerem aqui a sua experiência, a sua adaptação”, com o objetivo de que a casa tenha a “dimensão para a qual foi criada e desejada”, frisou.
“Esta Cartuxa tem uma vocação espiritual, é uma Cartuxa que foi feita mesmo para ser Cartuxa. É um ‘pulmão’ espiritual em si” de que “não prescindimos”, afiançou.
Com a congregação das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará vai também ter uma parte de hospedaria, que corresponde a uma 1.ª fase de obras, num projeto cujo concurso de obra já foi aberto, num investimento a rondar os 500 mil euros, segundo o arcebispo de Évora.
Com construção iniciada em 1587, o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli foi o primeiro eremitério da Ordem da Cartuxa a ser construído em Portugal, tendo tido diferentes utilizações, ao longo do tempo. Acabou por recuperar a sua função religiosa em 1960, graças a Vasco Maria Eugénio de Almeida, Conde de Vill’Alva.

RRL (SM) // LFS
Lusa

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