O presidente da Concelhia de Redondo do PS demitiu-se e abandonou o partido, juntamente com outros 17 militantes, em desacordo com o processo de escolha do cabeça-de-lista ao município nas eleições autárquicas deste ano.
Contactado hoje pela agência Lusa, o presidente da Federação Distrital de Évora do PS, Luís Dias, escusou-se a comentar este assunto, por se tratarem de “questões da vida interna do PS”, as quais “são tratadas nos órgãos próprios do partido”.
Em declarações à Lusa, o presidente demissionário da Concelhia de Redondo do PS, Domingos Madruga, afiançou que ele próprio e outros 17 militantes desta secção partidária “já formalizaram” a desvinculação do partido.
Segundo Domingos Madruga, as saídas não se vão ficar por aqui, porque outros quatro militantes já manifestaram a intenção de se desvincularem do partido nos próximos dias.
A Concelhia de Redondo, adiantou o ex-dirigente do PS, já tinha “escolhido uma pessoa para candidato” à câmara, mas a federação “avocou o processo” e está a conduzi-lo “de maneira a que o atual vereador” socialista Luís Faleiro “possa vir a ser o candidato”.
“Não concordamos com isso. Achamos que é um péssimo candidato, obviamente que estamos a falar só politicamente”, mas “não era o candidato ideal para o secretariado e para a maioria dos militantes” da Concelhia de Redondo, pelo que “23 em 31” decidiram sair do partido, afirmou.
Domingos Madruga, que não revelou o nome do candidato escolhido pela concelhia, considerou que o atual vereador socialista Luís Faleiro, que tem pelouros e funções a tempo inteiro desde maio de 2019 no município gerido por um movimento independente, “está a fazer agora tudo aquilo que antes criticava”.
“Ele é uma almofada confortável para o Movimento Independente do Concelho de Redondo (MICRE)”, que governa o município com maioria relativa, realçou, alegando que, “se o movimento ganhar vai sempre buscá-lo” para a gestão.
Para o presidente demissionário da concelhia socialista, o atual vereador PS “até poderá vir a ser um sucessor do MICRE e o PS fundir-se com o movimento”.
Com a saída de 23 dos 31 militantes, o PS de Redondo “fica sem estrutura”, porque “deixa de ter o mínimo para poder ser concelhia” e nem passa a ser secção, uma vez que “também não tem 15 militantes”, o mínimo exigível para que seja formada, alegou.
O antigo dirigente socialista referiu ainda que existe “um pacto de não agressão” entre a Federação Distrital de Évora do PS e o MICRE para os socialistas beneficiarem do apoio do movimento nas legislativas e na Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC).
“Há pedidos do MICRE à Federação de Évora para influenciarem as nossas votações na assembleia municipal, quando não negociam connosco” e, depois, o movimento, “na CIMAC, vota sempre a favor do PS e recebe sempre muito bem os candidatos às legislativas”, argumentou.
O atual executivo municipal no concelho de Redondo é composto por dois eleitos do MICRE, um do PS, um da CDU e um da coligação PSD/CDS-PP, sendo a assembleia municipal presidida pelo autarca social-democrata José Luís Mónica.
Até hoje, ainda não foram anunciados quaisquer candidatos às eleições autárquicas deste ano neste concelho.

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