É de assinalar o esforço da comunidade científica mundial e igualmente de todos aqueles que directa ou indirectamente estão envolvidos no controlo e combate da doença.
É de assinalar, mas noutro sentido, a corrida ao lucro das multinacionais e o egoísmo dos países ricos que se traduzem num obstáculo à cooperação internacional e à justiça e que fragilizam a humanidade na luta contra o vírus. A união europeia permitiu que os interesses das farmacêuticas se colocassem à frente do interesse dos povos. Daí a vacinação avançar a conta gotas, por via dos constrangimentos existentes na produção, situação que poderia ser ultrapassada com a abertura das patentes dessas farmacêuticas (financiadas com recursos públicos) que permitiria mobilizar mais capacidade produtiva. Estaríamos a falar de maior quantidade de vacinas para chegar em maior número e rapidez à populações acelerando assim a vacinação e por conseguinte salvar vidas e retomar mais cedo a actividade económica e social. Assim pela falta de escrúpulos e humanidade de muito poucos estão milhões de pessoas e empresas a agonizar.
Note-se que entretanto, a Pfizer anunciou que iria facturar em 2021 mais de 15 mil milhões de euros com a sua vacina e a AstraZeneca anunciou que os seus lucros cresceram 159% em 2020, ou seja mais de dois mil e quinhentos milhões de euros.
Estes comem tudo e não deixam nada.
Filipe Mota é licenciado em Gestão e Organização de Empresas pela Universidade de Évora