Juanito Cruz, que representou, entre outros clubes, “O Elvas” CAD, relatou para a página “Velha Guarda da Bola” aquilo que tem sido a sua vida, “durante e após o futebol”.
Eis a resposta, na primeira pessoa:
“Sou natural de Baleizão, uma pequena aldeia, situada no distrito de Beja, foi lá que começou a minha grande paixão, o futebol. A bola era a minha companhia de todas as horas, jogava com os meus amigos na rua, nos intervalos da escola… A paixão era tanta que, juntamente com os meus companheiros da altura criámos uma equipa no escalão de infantis. Foi através dos torneios disputados em Beja, organizados pela Direção Geral do Desporto, que começaram a surgir as oportunidades. Primeiro no Zona Azul, onde joguei durante 2 épocas, e depois, no Desportivo de Beja, onde me mantive dois anos como juvenil e outros dois como júnior.
No Desportivo de Beja alcançamos as meias-finais com o Sporting, jogo disputado no campo do lusitano. Saímos derrotados por 1-0, mas demos muito trabalho a uma equipa que tinha outros argumentos. É com muito orgulho que recordo a nossa prestação enquanto equipa. Foi o meu primeiro ano enquanto júnior, por indicação do Cano Brito, meu conterrâneo e ex-jogador da académica. Na altura surgiu a oportunidade de ir, nas férias da Páscoa, treinar à experiência na Académica, o resultado foi positivo, o clube teve interesse em mim e estava tudo a postos para ir. Porém, já no final do ano letivo, com as malas feitas para partir, vi a minha mãe chorar e decidi ficar, naquele momento o mais importante era a família.
Já no último ano de júnior, também em período de férias escolares, o Sr. Lemos (Diretor do Desportivo de Beja) conversou com o Zé António, que jogava no clube, sobre a hipótese de ir treinar ao “O ELVAS”. E assim foi, agradei ao treinador da altura, Carlos Cardoso, e nesse ano fiz um contrato profissional, tinha o clube subido à primeira divisão. Foi o concretizar do meu sonho de miúdo, ser jogador de futebol.
Durante a formação tive o privilégio de ter treinadores que para além de me ensinarem a perceber o jogo, também me transmitiram grandes valores, e a verdade é que só os transmite quem os tem. Como misters destaco: Barão, Caçoila, João Rosa, João Mário Agatão, Julião, Professor Neto e Ildo, e como diretores: Dr Júlio, Sr Peraltinha, Dr Covas Lima, Sr Leo, e Sr Caldufa, pessoas fantásticas, que jamais irei esquecer, a todos o meu muito obrigado pela forma carinhosa com que sempre me trataram ao longo destes anos.
E este foi o meu percurso até chegar aos seniores…
Enquanto sénior, foram cinco as épocas que fiz com a camisola de “O ELVAS” ao peito, duas épocas na primeira divisão, duas na segunda divisão da zona sul, e uma na segunda divisão de honra (hoje a segunda liga), época que infelizmente acabamos por descer mesmo ganhando o último ganho ao Paços de Ferreira (equipa que foi campeã nesse ano). Após estas cinco épocas como jogador do “O ELVAS” seguiu-se uma época no Louletano (2º divisão de honra) e outra no Campomaiorense (2ºdivisão de honra), tendo regressado ao “O ELVAS” onde permaneci mais 8 épocas (5 épocas na 2º divisão B e 3 épocas na 3º divisão), por fim terminei a minha carreira como futebolista em clubes como o Calipolense (3ºdivisao), Avisenses (3ºdivisao), Amarelejense (1º divisão distrital de Beja) e Alandroalense(1º divisão distrital de Évora) (clubes onde me mantive durante uma época), tendo muito orgulho de os ter representado.
Sempre com o bichinho do futebol ainda foram alguns os anos que consegui integrar os veteranos do “O ELVAS”, até a minha condição física o permitir…
“O ELVAS” é o clube do meu coração, foi aqui que me iniciei, aos 18 anos, e cresci enquanto Homem. Foram 13 anos de emblema ao peito, com bons e maus momentos.
Contudo, nenhum futebolista está preparado para o que se segue pós o futebol, não é fácil ter de abdicar daquilo que mais se gosta. A verdade é que a vida segue e embora nos custe muito, temos que ir à luta e procurar outra forma de sustento, sempre consciente das dificuldades que se avizinhavam, a realidade é que a minha vida até à altura apenas tinha passado pelo futebol, e com apenas o 9º ano de escolaridade.
Terminada a minha carreira no futebol, e até conseguir o meu negócio atual que já tem 12 anos (papelaria com Jogos da Santa Casa), distribuí jornais, medicamentos… tudo profissões que aliei à de treinador para de alguma forma tentar colmatar minha a paixão. Fui treinador adjunto de: Lito Vidigal, Paulinho (hoje meu cunhado) e Luís Roquete no “O ELVAS” e treinador principal em clubes como o Alandroalense, Calipolense e Borbense, clubes onde encontrei pessoas incríveis.
Hoje em dia, e após a minha experiência de vida no futebol, reconheço a importância dos estudos, tirar uma formação académica se possível, de forma a conseguir uma ferramenta para quando o futebol terminar e estar mais preparado para uma nova realidade, a não ser que seja um grande talento, claro.
Atualmente sou feliz em Elvas, minha segunda terra, cidade que escolhi para constituir família, e da qual me orgulho muito, a minha mulher foi sem dúvida um grande apoio ao longo desta caminhada, tendo dado como frutos dois filhos fantásticos”.

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