A paisagem natural de Elvas foi sempre apelativa em grande medida por estar rodeada de campos extensos propícios à criação de gado onde também é digno de nota apontar os sobreiros, azinheiras e oliveiras, para além do cultivo que emana da mão da população.
Ainda assim, e com o aumento populacional, a escassez de água é um factor a ter em conta pelo que desde cedo preocupa os habitantes até então alimentados por um poço pequeno fazendo chegar essa preocupação ainda no século XV às cortes em Lisboa. É neste sentido que o Rei D. Manuel I autoriza o lançamento do imposto do Real d’Água cobrado à população no arrátel de peixe, carne e vinho para custear as melhorias no poço que não se revelaram suficientes. Por isso D. João III designa o arquitecto Francisco de Arruda (responsável pelo traçado da Torre de Belém) e inicia a construção do aqueduto da Amoreira – cuja designação vem do local da Amoreira que conduz para Elvas o manancial que fica a cerca de 8 km’s da cidade.
Na primeira fase de construção chegará em 1542 ao Convento de São Francisco. Foi retomada em 1571 e novamente em 1610 chegando a água em 1622 à Fonte da Misericórdia já terminada no centro da cidade. A fonte será relocalizada em meados do século XX para a praça 25 de Abril.
O grandioso aqueduto, dos mais imponentes da península, chega a ter quatro arcadas sobrepostas apoiadas em pilares e reforçadas por contra-fortes semi-circulares atingindo 31 metros de altura. Nas guerras da Restauração a construção foi considerada um obstáculo à defesa da cidade porém a população junta-se na defesa escrevendo à Coroa para a sua manutenção, que foi conseguida (para aprofundar consultar Luís Keil, Inventário Artístico de Portugal, vol. I, 1943 e Amílcar Morgado, O Aqueduto e a água em Elvas, 1992).
Por decreto de 16 de junho de 1910 publicado Nª 136 – 23 de Junho de 1910 na secção “Aqueductos: Districto de Portalegre: Elvas – Aqueducto da Amoreira” foi classificado Monumento Nacional. O aqueduto foi uma obra essencial para a população local, em primeiro lugar para a sobrevivência e condições de vida naqueles séculos e posteriormente também para a identidade e para o património construído de que é imagem icónica e marcante.

Tiago Matias é licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

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