A fundação presidida pelo autarca de Reguengos de Monsaraz, José Calixto, justificou a sua vacinação contra a covid-19 por ser uma das pessoas que tem “contacto regular direto com os utentes” do lar.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS) explicou ter indicado para serem vacinados “todos os utentes, funcionários, administrativos, técnicos e dirigentes que têm contacto regular direto com os utentes”.
Segundo a instituição, essa comunicação foi dada em “obediência às indicações recebidas pelas autoridades de saúde e da segurança social”.
“O critério recomendado pelas autoridades de saúde e consensualizado com a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) para definir o universo a vacinar foi o do contacto próximo e regular com os utentes, sendo expressa a necessidade de incluir os membros das direções das instituições que mantivessem esse contacto próximo”, pode ler-se no comunicado.
Segundo noticia o semanário Expresso na sua página de Internet, o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz (Évora), José Calixto, eleito pelo PS, já tomou a primeira dose da vacina contra a covid-19.
O autarca, pode ler-se na notícia do Expresso, “foi incluído numa lista de funcionários e utentes a vacinar enviada pelo lar” da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, onde um surto de covid-19, no verão de 2020, provocou a morte de 18 pessoas.
De acordo com o Expresso, “apesar de não se inserir em nenhum dos grupos prioritários para a primeira fase da vacinação”, o autarca “conseguiu contornar os critérios definidos pelo Governo e pelas autoridades de saúde por ser presidente da fundação que gere o lar”.
No comunicado, a FMIVPS realçou ter conhecimento de que “os membros das direções” de instituições em “todo o país” estão a ser vacinados nesta fase e que “pelo menos isso acontece” na região do Alentejo.
E insistiu que decidiu “seguir a recomendação da CNIS e submeter a vacinação de todos os membros do conselho de administração em exercício regular de funções, porque têm um contacto regular, direto e próximo com os utentes”.
Lembrando que o lar que gere enfrentou “um surto com consequências sérias”, a fundação sublinhou ter entendido “ser de elementar cautela que todas as pessoas que têm esse contacto fossem vacinadas”.
A FMIVPS assegurou que José Calixto, que exerce “de forma voluntária o cargo” de presidente do conselho de administração da fundação, “acompanha de forma diária o trabalho desenvolvido” e tem “contacto com os seus utentes”.
“A sua vacinação, além de corresponder ao determinado no Plano Nacional de Vacinação das Estrutura Residencial para Idosos (ERPI) pelas autoridades de saúde e seguir a recomendação da CNIS, foi uma medida exigida para salvaguarda da saúde e da vida dos utentes da fundação”, assinalou.
Para a instituição, as notícias de que José Calixto foi “vacinado contra a determinação das autoridades de saúde procurando obter uma situação de privilégio injustificado são falsas e gravemente prejudiciais para o seu bom nome, honra e consideração pessoal, profissional e política” e prejudicam a fundação.
“A perseguição de que a fundação e o presidente do conselho de administração vêm sendo vítimas, por constituírem atos ignóbeis no contexto da tragédia que assola o país e o mundo, será, por isso, objeto das respostas adequadas nas instâncias competentes que, não reparando o prejuízo já causado, reporão, pelo menos, a verdade”, acrescentou.

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