A administração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA)revelou hoje que estão identificados 44 profissionais infetados pelo novo coronavírus, tendo ainda registo de nove trabalhadores recuperados desde o final do mês de março.
“Nós temos estado a controlar com uma testagem sistemática aos profissionais, tendo começado onde o risco era maior, em especial no serviço de urgência, unidade de cuidados intensivos e nos serviços de atendimento covid”, explicou o vogal do conselho de administração da ULSNA, Raul Cordeiro, em declarações à agência Lusa.
De acordo com o responsável, o surto da covid-19 na ULSNA, que gere os hospitais de Portalegre e Elvas e 16 centros de saúde nos 15 concelhos que compõem o distrito de Portalegre, poderá estar nesta altura “controlado”.
“Os dados que nós temos dizem-nos que sim [controlado o surto], porque nós identificámos uma série de situações, algumas delas em serviços que ficaram de alguma forma comprometidos, mas pelos dados que temos, sim. Nós estamos agora num programa alargado de testagem sistemática que, nos últimos cinco dias, fomos capazes de identificar um ou dois casos, o que nos mostra que a situação pode estar controlada”, disse.
Raul Cordeiro acrescentou ainda que este surto não terá tido repercussões na comunidade, principalmente junto dos familiares dos profissionais de saúde afetados.
“Os casos que foram identificados entre profissionais, e do conhecimento que nós temos, não houve um alastramento exponencial à própria comunidade”,disse.
De acordo com o relatório publicado hoje pela ULSNA na sua página na Internet, os hospitais de Portalegre e Elvas contabilizam 30 utentes internados devido à covid-19.
As duas unidades hospitalares contam nesta altura com 42 camas para receber “infetados e suspeitos”, juntando-se a estas mais outras cinco camas na unidade de cuidados intensivos de Portalegre.
Raul Cordeiro explicou que alguns serviços têm sido “transformados” em enfermarias para acolher utentes infetados, sendo esta operação possível graças à “flexibilidade” das camas do serviço de Medicina.
“A nossa capacidade de absorver doentes com outras patologias não covid não ficou necessariamente diminuída por isso. Nós tivemos foi de reprogramar alguma da atividade programada para absorver o impacto dos doentes covid, não estamos a comprometer, não fechámos as consultas externas, não fechámos a atividade cirúrgica urgente”, garantiu.
O vogal do conselho de administração da ULSNA sublinhou que, perante uma pandemia como a da covid-19, está a ser feita, num “primeiro nível”, uma “gestão integrada” entre os dois hospitais [Portalegre e Elvas] e, num segundo nível, em caso de “necessidade”, será assegurada uma gestão em rede com as unidades de saúde mais próximas daquele distrito alentejano.
“A nossa capacidade [internamento] é a que nós definimos agora, e se as coisas se mantiverem no estado em que estão, ela tem sido gerida desta forma articulada entre os dois hospitais”, explicou.
O relatório publicado hoje pela ULSNA na sua página na Internet indica que o distrito de Portalegre conta com um total de 16 mortes associadas à covid-19 desde o início da pandemia.
No documento, é referido que o distrito de Portalegre regista 473 casos ativos, sendo a lista liderada pelo concelho de Portalegre, com 257 casos, seguindo-se Elvas, com 53 casos ativos, Crato (49), Gavião (31), Nisa (23), Arronches (17) e Ponte de Sor com 12 casos ativos.
O concelho de Marvão apresenta nove casos ativos, Campo Maior seis, Monforte cinco, Castelo de Vide quatro e Fronteira com três casos.
Os concelhos de Avis, Alter do Chão e Sousel não apresentam hoje qualquer caso ativo.
No mesmo relatório, a ULSNA indica que foram feitos até hoje 27.277 testes de diagnóstico no distrito de Portalegre e que estão internados 30 infetados nas duas unidades hospitalares da região.

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