Cerca de 25 anos de experiência levaram Fábio Belo das “piratadas” motociclistas em Portalegre ao título mundial de bajas de navegadores, ao qual o português pode somar ainda o campeonato Europeu no próximo fim de semana.
A dupla formada pelo navegador com Alexandre Pinto conquistou o segundo lugar absoluto na categoria SSV da Taça FIM de Bajas, na 34.ª edição da Baja Portalegre 500, resultado que ‘carimbou’ o título mundial e valeu ao navegador a liderança do Campeonato Europeu, que terá a última etapa na Baja TT Dehesa Extremadura, em Badajoz, entre sexta-feira e domingo.
“Falta pelo menos um segundo lugar para ser confirmado, mas depende das classificações das outras duplas. Em princípio, qualquer lugar do pódio poderá servir, mas o ideal seria mesmo vencer, para não dar chances”, explicou hoje o motociclista e, agora, navegador à agência Lusa.
Resultados que ganham ainda mais relevo por serem alcançados no ano de estreia em SSV (Side-by-Side Vehicle) no Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno, ao lado do jovem revelação Alexandre Pinto, de apenas 21 anos, e por serem conseguidos apenas nas etapas disputadas em Portugal.
O projeto da dupla passava por fazer todas as provas da Taça FIM, mas a pandemia de covid-19 mudou os planos e a equipa da Benimoto não disputou as etapas do Qatar e Aragão, acabando por “pontuar apenas na Baja TT do Pinhal e na Baja 500 Portalegre”.
“Foi um ano árduo, mas os resultados estão à vista. Estou muito orgulhoso do nosso trabalho, do trabalho do Alexandre [Pinto] e de toda a dedicação que tivemos. Agora é preciso continuar a trabalhar para vencer o Campeonato de Bajas FIM Europa. Estou muito motivado e com uma enorme expectativa”, exultou, logo após o final da quarta etapa do Nacional, em Portalegre.
A compatibilidade com o piloto Alexandre Pinto é também um fator fundamental no sucesso de Fábio Belo na navegação, o que é normal quando se compete em veículos de “1.000cc e 230cv”, ou seja, “menos potência mas mais cavalagem” do que os automóveis que, num dos troços de 80 quilómetros, em Portalegre, vinham “a perder quatro minutos” para os SSV.
“São emoções diferentes [pilotar e navegar], mas as duas me completam. Quando se confia no piloto, acabamos por sentir que somos nós que vamos a conduzir e focamos apenas no que é importante. Acabamos por ser um só. Quando a contagem decrescente chega ao zero, perdemos o coração, a cabeça e focamos só naquilo. Tem de ser assim. As velocidades são muito grandes e vamos sem proteção nenhuma”, frisou o navegador.
Aos 34 anos, Fábio Belo leva quase uma vida no motociclismo de todo-o-terreno – com um breve abandono em 2008 e 2009, devido à grave crise financeira que afetou o país -, que começou nas “piratadas” perto de Portalegre, onde nasceu no mesmo ano que a famosa Baja daquela cidade alentejana.
“Qualquer festa de verão numa aldeia ou vila organizava uma prova pirata. Juntava ali 40 ou 50 pilotos e fazia-se uma brincadeira durante o dia. Os prémios eram uma taça e sumos, ou umas imperiais para os que já tinham idade para isso. Depois, com tanta obrigação e burocracia que algumas federações, câmaras [municipais] e a própria evolução obrigaram, essas ‘piratadas’ acabaram por desaparecer”, recordou, com alguma nostalgia.
É que, segundo Fábio Belo, essas ‘piratadas’ eram “um dos maiores motores para colocar malta a competir nos nacionais” e o seu desaparecimento tem reflexo direto nas Bajas, que “chegam a ter apenas seis ou sete motos” inscritas.
Passaram quase 30 anos desde que Fábio Belo começou a ganhar o ‘bichinho’ do todo-o-terreno, ao assistir à Baja de Portalegre com os pais, e mais de 20 desde que, com 11 ou 12, começou a ir “com uma KX80” às famosas ‘piratadas’.
Agora, com um título mundial (e quase um europeu) no ‘bolso’, o piloto/navegador continua a alimentar um sonho que, ao contrário da maioria dos pilotos de todo-o-terreno, não é o Dakar.
“Para mim, o Rali dos Sertões [Brasil] seria o topo. Gostava de fazer um Dakar, mas, se me dessem a escolher, preferia os Sertões. Vamos trabalhar para isso e vou continuar a trabalhar para lá chegar. Gostava que fosse com o Alexandre Pinto, porque é um jovem com muito para evoluir, com a vida pela frente, tudo o que conseguir será um agradecimento para dar a ele”, apontou.
Fábio Belo conquistou o título mundial de bajas de navegadores na 34ª edição da Baja Portalegre 500, ao terminar no segundo lugar absoluto a última jornada da Taça FIM, em SSV, e lidera o Campeonato europeu de Navegadores, que cumprirá na Baja TT Dehesa Extremadura a sua derradeira jornada.
A categoria SSV é disputada por veículos de quatro rodas que se têm popularizado nos últimos anos no todo-o-terreno português por serem uma classe que o presidente da Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), Manuel Marinheiro, descreveu à Lusa, em 2017, como “muito competitiva” e com uma “diferença brutal” para os carros em termos de custos.

SYL // AMG
Lusa

Carregar mais artigos relacionados
Carregar mais artigos por Redacção
Carregar mais artigos em Desporto

Veja também

UCC do Crato promove literacia em saúde no 1º ciclo 

No decorrer do mês de janeiro, a UCC do Crato, promoveu sessões de educação para a saúde n…