Dezenas de pais de alunos, primeiro do ciclo de Santa Luzia e agora da escola básica de Vila Boim, estão indignados com supostos critérios utilizados pelo Delegado de Saúde do concelho de Elvas.

Na semana passada, mais concretamente no dia 27 de Outubro, um aluno do ciclo de Santa Luzia testou positivo à Covid-19. Agora o mesmo cenário, mas na básica de Vila Boim.

Nas duas situações, segundo progenitores de colegas de turma, não só não terão sido testadas as outras crianças e professor(es) da turma, por indicação do responsável máximo da saúde no concelho de Elvas, como nem sequer foram enviados para casa os restantes colegas como medida preventiva. Unicamente os colegas que se sentam ao lado, à frente e atrás de ambos os infectados tiveram ordem e/ou autorização para serem testados. A restante turma, que se reúne nos mesmos recreios, que pratica educação física junta e partilha o mesmo espaço fechado, a sala de aula, não foi alvo de qualquer medida preventiva, segundo nos relatam.

É preciso não criar alarmismos

Fonte oficial contactada pelo Linhas, que preferiu o anonimato, esclarece que, em Vila Boim, a primeira professora que testou positivo “já estava há mais de uma semana em casa”. Segundo as actuais directivas da Direcção Geral de Saúde, “48 horas antes da pessoa dar positiva são suficientes para se saber se a pessoa está infectada. Ora, neste caso a professora já estava em casa há uma semana, logo a direcção da escola não tem que comunicar absolutamente nada aos pais porque a professora não contaminou ninguém dado que já estava em casa há uma semana”.

Uma outra professora, do primeiro ciclo, também já estava confinada há mais de uma semana, tanto que essa turma já tem uma professora substituta desde sexta-feira.

“A criança que testou positivo em Vila Boim esta confinada em casa desde sexta-feira e só hoje testou positivo. Logo, o Delegado de Saúde determinou que, como esse menino ainda foi quinta-feira à escola, se fizesse o rastreio aos colegas do lado, frente e atrás, confinando nove crianças”, esclareceu a nossa fonte, mas adiantou que, “seguindo o mesmo critério em vigor, não são necessárias outras diligências”.

Os responsáveis escolares pedem calma aos pais e familiares porque, “quando começarem a não ser um caso mas sim 20 casos, não saberemos o que fazer e a vida e a economia não podem parar”, apelando para que não se criem alarmismos desnecessários.

Esclarecimentos, precisam-se

Nas diversas tentativas de esclarecimentos que os jornalistas do Linhas de Elvas têm procurado junto do Delegado de Saúde, nada têm conseguido apurar porque “o responsável máximo….”não fala com jornalistas”.

Nesta região sofremos de dois traumas psicológicos: o primeiro é que muitos responsáveis se recusam terminantemente a falar com a comunicação social. Esquecem-se que, quem está à frente de algo, tem obrigação de prestar contas e esclarecer e acalmar as pessoas. Os jornalistas são os profissionais que fazem a ponte entre a população e quem de direito.

Existe, igualmente, o outro reverso da medalha. Alguns cidadãos, e mesmo responsáveis, julgam-se no direito de telefonar para as redacções com ameaças disto e daquilo. No Linhas as ameaças não amedrontam ninguém, pelo que são escusadas e desnecessárias.

O país está a entrar num ponto de rotura e precisa de gente com coragem, determinação e não de pessoas com a mania que o Rei vive na sua própria Barriga. Urge então que se encare, de uma vez por todas, que quem tem filhos na escola e pais em casa precisa de ser devidamente esclarecido. Para isso é necessário que os dirigentes não se escondam, pois essa é a única forma de evitar notícias eivadas de algumas inverdades.

Testar positivo não é crime

Testar positivo, ao contrário do que muitos pensam, não é estar leproso nem transformar-se num morto-vivo. Testar positivo à Covid-19 é algo que pode acontecer a qualquer um de nós e é nosso dever imediato, para com quem nos rodeia e para com a sociedade, revelar-se, confinar-se não se escondendo. Esta a única forma de parar esta pandemia, que mata os nossos familiares mais idosos mas que também vitima gente nova, mutila e põe em risco o sistema nacional de saúde, para além da falta de respeito que tais atitudes constituem contra quem, nos hospitais e nos lares de idosos, tudo faz para salvar vidas humanas.

Reunião entre responsáveis decorre entretanto

O Linhas sabe que, sobre este tema, teve inicio há momentos uma reunião entre diretores de turma e a direcção do Agrupamento de escolas de Vila Boim.

JAA

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