A um ano de se tornar centenária, a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) elege os seus órgãos sociais no sábado, com a inovação do voto eletrónico e a reedição do ‘duelo’ de há quatro anos, com os mesmos candidatos a presidente.
Jorge Vieira quer ir para terceiro e último mandato, António de Carvalho Nobre, derrotado por pouco em 2016, quer travá-lo e relançar a instituição com outra direção estratégica.
Pela primeira vez, consequência da pandemia de covid-19, o voto eletrónico toma o lugar do presencial e poucos serão os que se deslocam no sábado ao Centro de Medicina Desportiva de Lisboa, onde, pelas 17:00 horas, a contabilização dos votos será anunciada, em direto através da plataforma Zoom.
Esses resultados, bem como os discursos de vencedor e declarações de derrotado, serão depois divulgados nas redes socias e sítio da FPA na Internet.
Há quatro anos, a disputa eleitoral entre Vieira e Nobre foi muito equilibrada, com o atual presidente a ganhar por 31-27 votos, tudo apontando agora para uma disputa novamente ‘renhida’, em ato em que ambos se apresentam a sufrágio acompanhados pelos mesmos nomes de 2016, no essencial.
Além das 22 associações regionais (cada uma com dois votos), os candidatos tentaram ‘cativar’, nos últimos tempos, as associações de atletas de alta competição, juízes e treinadores (5 votos cada), atletas veteranos (3), organizadores de provas (2) e trail running (1).
Tanto Nobre como Vieira são nomes sobejamente conhecidos na modalidade, tendo ambos estado ligados à longa e carismática presidência de Fernando Mota (de 1993 a 2012), que tal como há quatro anos apoia o candidato da oposição.
Jorge Vieira sucedeu a Mota como Diretor-Técnico Nacional, quando este passou a presidente, e foi o responsável pelas seleções dos ‘anos de glória’ do atletismo luso, nomeadamente nos Jogos Olímpicos Atlanta1996. A grande figura desse período, Fernanda Ribeiro, é agora a sua mandatária nacional e candidata à direção.
“Podemos conquistar mais medalhas, podemos filiar mais praticantes, podemos tornar a modalidade ainda mais atraente. Podemos tornar o atletismo a modalidade número um do desporto português. Para que tal se concretize é indispensável que todos, sem exceção, acreditem nessa possibilidade”, defende o candidato a terceiro mandato, líder da lista A.
“Não me escuso de assumir os erros cometidos, durante a minha direção, assumi cada um deles, no momento e no local certos. Não me orgulho dos erros, nem refiro quão importantes são para o progresso, mas sei que só erra quem faz e quem mais faz mais erra”, refere ainda.
António de Carvalho Nobre, coronel da Força Aérea na Reserva, também tem uma ligação à modalidade que já vem do século passado, tendo começado como organizador de provas (casos do crosse de Torres Vedras e da corrida de Tagarro) e responsável pela comissão nacional de estrada e corta-mato.
Viria ainda a ser vice-presidente de uma das direções de Fernando Mota, com a responsabilidade da Alta Competição, preparando a participação nos Jogos Olímpicos de Sydney2000, entre outros grandes eventos.
Afastou-se em 2002 e em 2005 escreveu o livro “Atletismo Português – Gestão da Crise de Valores”, que a partir daí o colocou sempre como potencial candidato à presidência, ‘corrida’ que foi adiando por uma década, enquanto prosseguiu a carreira militar e esteve envolvido no Comité Olímpico de Portugal (COP), passagem que lhe valeu o apoio de Vicente de Moura, antigo presidente do organismo olímpico e agora seu mandatário.
“Nada de essencial mudou significativamente, desde finais de 2016. Em concreto, continua a faltar um plano estratégico de desenvolvimento da modalidade e uma nova dinâmica que potencie o trabalho levado a cabo por todos os associados, respeitando a sua autonomia e as caraterísticas específicas de cada região ou área de atividade”, acusa o líder da lista B.
“Poderemos dar um impulso à modalidade, recolocando-a na posição que tem vindo a perder no panorama do desporto português. Estamos convictos que temos a credibilidade e a experiência, o currículo e perfis certos, para levar a cabo esta difícil missão, com muito boas perspetivas de sucesso”, acrescenta.
Além de candidatar o essencial da equipa que apresentou em 2016, Nobre apresenta um ‘trunfo’ de peso, vindo da primeira direção de Jorge Vieira – Susana Feitor, a marchadora de maior sucesso no atletismo luso, que agora se projeta para a vice-presidência com a responsabilidade da Alta Competição.
Pela outra lista, concorre de novo Paulo Bernardo, antigo recordista nacional do lançamento do disco, que depois viria a dinamizar a associação de atletas de Alta Competição.
Não são os únicos antigos atletas ou treinadores que se envolvem nestas eleições, de uma forma ou outra, nas duas candidaturas, sendo que João Ganço, que foi treinador de Nelson Évora, se apresenta na lista de Jorge Vieira.
Do lado da oposição, há muitos nomes de prestígio a apoiar, também, como João Campos, o treinador de Fernanda Ribeiro, nos grandes feitos da atleta campeã olímpica.

FB // JP

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